Como ter uma banda de rock me ajuda a ser um líder melhor no meu trabalho?

De que maneiras a experiência com a Riviera, banda na qual lidero, me ajuda constantemente a exercer meu trabalho de Manager

Por Vinícius Coimbra

Esta foto aí de cima, é o registro do término de um dos momentos mais importantes e marcantes da minha vida inteira. Numa quarta-feira às 21 horas do dia 13 de julho de 2016 – dia mundial do rock – a Riviera colocou mais de 350 pessoas no Teatro Bradesco em Belo Horizonte, para um show completamente autoral produzido de maneira independente. Só que para chegar nesse dia, foram basicamente anos de trabalho, adquirindo experiências durante uma vida inteira e trabalhando por 4 anos com a banda.

Para quem não sabe, além de “trabalhar nesse mundo da internet”, eu sempre toquei e estive envolvido com a música de Belo Horizonte desde adolescente, mas eu precisei ir para Brasília, para que a Riviera viesse de fato a existir.

Eu já tinha desistido totalmente da idéia de ter banda, mas continuava a compor, quase que como terapia (inclusive, recomendo). Depois de escrever mais de 200 músicas, resolvi gravar sozinho 3 delas de maneira profissional, só para ter o prazer de ouvir sozinho algo com uma qualidade aceitável. Acabou que, o que era minha “válvula de escape” dos meus momentos de introspecção, evoluiu sem querer, para uma banda independente que já dividiu palco com grandes nomes do Brasil (Ego Kill TalentFar From AlaskaFresnoScalene e entre outros), e resgatou em mim o desejo de investir em música novamente.

Quatro anos depois, dezenas de shows, trocas de integrantes, milhares de horas de ensaio, tive a oportunidade de viver esse momento mágico aí de cima. Mas como isso me ajudou a ser um líder melhor?

Começando os trabalhos

Cerque-se de pessoas certas

Com a minha volta para Belo Horizonte em 2012, o Rapha Garcia ouviu uma música desse então projeto solo despretensioso num link do meu facebook (mais precisamente, este aqui). Acabou que ele curtiu tanto e se identificou com o som e a letra, que me mandou uma mensagem se oferecendo para ser baixista da banda. Conversa vai, conversa vem, no fim das contas, ofereceu uma banda inteira (Rafa — guitarrista e Junin — baterista), e eu aceitei, lógico!

Com esta formação, em 1 mês de banda, ganhamos um concurso feito pelo PalcoMP3 e tocamos na maior feira de música da América Latina: a Expomusic. Além disso, gravamos “A Seco”, que viria ser uma das nossas músicas mais tocadas.

Como lidar com o ego?

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Esses caras manjam das coisas: Too Much Ego Will Kill Your Talent!

Até então, tudo certo, estávamos utilizando coisas que construi sozinho e os meninos basicamente tocavam. Mas após esse mês, que pareceu um ano inteiro, percebi:

 — Somos uma banda! FUDEU! E ai?

Quer dizer agora que somos uma EQUIPE e não uma “EUQUIPE“, E ISSO MUDA TUDO!

Não gostaria de ter uma banda onde eu era o “one-man band”, aquele cara que leva a bola, “cruza e cabeceia” e se sofrer falta, o jogo acaba ali. Sempre gostei da ideia de compartilhar e construir as coisas em cojunto. Só que depois de tanto tempo tentando construir isso com outras pessoas e falhando miseravelmente, foi tentando sozinho e despretensiosamente que obtive algum êxito. Com isso veio a uma eterna briga mental que provavelmente já afligiu você leitor, em algum momento da vida:

— Sozinho não funciono melhor?

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“Você tem que aprender a dividir com os coleguinhas “— ANJO, Kronk

Numa equipe, não existe eu. Existe nós!

Lidar com opiniões diferentes é sempre complexo e um aprendizado constante na vida, e com a banda não foi diferente. Colocar minhas composições “na mesa” (algo que pra mim, sempre foi tão pessoal), e ouvir um: “Olha, isso tá muito ruim!”, dói demais no EGO, mas, ao mesmo tempo quando dizem: “Porque não tentamos assim ao invés de assado!” e o resultado fica muito melhor, da um quentinho no coração ❤ e seu ego aos poucos vai se esvaziando.

Com isso, tive que aprender a ceder cada vez mais e descobrir que, sempre quando outras pessoas se envolvem pra valer no processo para dar certo, é 99,9% a chance de sair algo melhor e além do que você imaginava, superando ou te surpreendendo positivamente.

Um exemplo de trabalho em grupo desenvolvido na MaxMilhas, foi o processo de criação de um produto novo em 3 dias com Design Sprint , quando eu ainda era Product Manager na empresa.

Nesta dinâmica intensa, ficou muito claro pra mim, que precisamos entender que:

“Tudo começa a dar certo quando se tem as pessoas certas ao seu lado, caminhando para uma direção comum.”

Acabou que levei esta lição pra todos os meus trabalhos. Quando se tem uma idéia, ela é somente uma idéia. A sua ideia, mas só uma idéia, nada além disso. Colocá-la à prova para ser discutida, e descobrir que, sua idéia com mais outras 3 ou 4 pessoas pode ser outra coisa completamente diferente, mas igualmente gratificante, é melhor ainda! Isso não é nem um pouco diferente no trabalho quando se lidera uma equipe.

Tenha seus objetivos claros e defina metas

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Pedrinho julgando seus objetivos de vida!

Para que um planejamento dê certo, é preciso envolver pessoas de vários níveis, se comunicar claramente, garantir que todos conheçam os seus objetivos e coordenar as atividades da organização para que as coisas aconteçam. Como diria Peter Drucker:

“O que não se pode medir, não pode-se gerenciar”

Com a banda tomando “cara de banda” e as oportunidades iniciais dadas, precisávamos manter o ritmo, que o “sucesso” era questão de tempo. Para isso, colocamos metas e definimos objetivos bem claros e realistas para os nossos meses e anos (coisa que fazemos fazemos até hoje). Outro ponto importantíssimo, foi ter bem claro, como mindset da banda, a realidade e especificidade dentro do que nós, como integrantes, tínhamos como disposição de investimento de TEMPO e DINHEIRO, já que QUALIDADE tentávamos sempre estar no máximo que conseguíamos! Quer exemplos?

Hora da “mão na massa”

Assim como na dinâmica do Design Sprint citada acima, o objetivo era muito claro e as metas eram bem definidas: Tínhamos problemas e precisávamos resolve-los de alguma forma ágil e que atendesse a um MVP (Minimum Viable Product).

Assim fomos levando a Riviera como uma EMPRESA! Afinal música é uma profissão como qualquer outra, e apesar de ainda não viver dela (ainda), levo como meu empreendimento de longo prazo, pois invisto muito TEMPO E DINHEIRO nisso.

2013: o início da banda

No nosso primeiro ano, em 2013, colocamos como uma das metas, fazer um show de lançamento em Belo Horizonte, já que o primeiro show da nossa vida foi em São Paulo e ninguém nos conhecia na cidade

Resultado: Fizemos um show de lançamento do EP “Outono” no Teatro do Museu Inimá di Paula para um pouco mais de100 pessoas, um registro ao vivo e investimento ZERO em dinheiro

2014: Hoje sim! hoje não… Hoje sim??? Hoje não… hoje não! :'(

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A vida é o homem de terno da FIA, rindo discretamente dos meus fracassos

Para 2014, colocamos como algumas das metas, tocar com alguma banda de renome nacional e tentar tocar em outras cidades além de Belo Horizonte.

Resultado: Tocamos naquele ano no lançamento do disco “Eu Sou a Maré Viva” da Fresno em Belo Horizonte, Show de turnê de 10 anos com o Scrachoe com uma banda ainda não conhecida, mas com potencial de tocar no Rock in Rio, chamada Scalene! Mas por um acidente automobilístico meu, voltei para Brasília, e tivemos que interromper os planos de tocar mais durante o ano.

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Meninos suados, cansados mas felizes depois do Show com a Fresno em maio de 2014

2015: O ano perdido — parte 1

Em 2015, mesmo com a minha mudança imprevista no meio de 2014 para Brasília, colocamos como meta, gravar um álbum conceitual full, com 13 faixas e 4 interlúdios instrumentais, mesmo tendo a distância jogando contra, e as minhas complicadas idas e vindas entre BH-BSB.

Resultado: Falhamos miseravelmente! Tudo começou bem, tivemos troca de integrantes, nos organizamos para gravações em Janeiro de 2015, mas por diversos fatores como: Não estar completamente preparado pro desafio que é gravar um disco, inúmeros imprevistos de agenda e dificuldades de horário à falta de profissionalismo, o disco gravado nunca chegou a ser terminado, mas culminou no EP “Somos Estações”, lançado só em 2016.

2016: Começando de novo

2016 foi o ano em que, comigo de volta à Belo Horizonte, a entrada do Brenona banda e com o álbum em mãos, era a hora de tocar! Colocamos como meta fazer um show de lançamento, pelo menos um show em outros estados e fora de Belo Horizonte, além de se preparar para a gravação do próximo álbum.

Resultado: Com certeza, foi o nosso melhor ano até em tão, e o que mais crescemos: tanto como banda, como empresa. Conseguimos tocar em São Paulo, tocando com os lindos da Versus 3 e Alaska, na Augusta. Trouxemos para tocar em BH junto com os queridos da El Toro FuerteO Grande Babaca e Alaska (o que geraria uma parceria em uma música nossa do vocal André Ribeiro), fizemos mais de 20 shows no segundo semestre de 2016 com várias bandas de BH (ElíziaSound SupernovaZonbizarroDielogueEvil MatchersKKFOSCordobaIssoSacrifice, nossa, são muitas…), assim como tivemos a oportunidade de gravar novamente no nosso estúdio favorito do mundo, o Family Mob, com pessoas que são nossos ídolos e ter a honra de tocar com eles desta vez, num show com o Ego Kill Talent, e por fim, não menos importante, fizemos esse show lindão de lançamento em que a foto estampa o post, com a participação especial da Adriah, de Brasília!

Mas, ao mesmo tempo, a gravação do disco teve um imprevisto fatal, que foi a saída do Túlio (#sddsTulio) das baquetas, o que, por fim, inviabilizou todo o planejamento de 2017 🙁

2017: O ano perdido — parte 2

Com o planejamento de 2017 por água abaixo, fomos refazer 2017 com o ano rolando. Começamos os ensaios com o novo baterista, o Pedro, e passamos o primeiro semestre basicamente ensaiando e compondo. Então só voltamos a tocar mesmo no segundo semestre de 2017, e colocamos como meta lançar o disco, final do ano inicio do ano de 2018

Resultado: Cá estamos em 2018, tocamos 3 vezes no ano passado, mas shows grandes com Fresno e Scalene novamente, e fizemos um lançamento discreto de single no Jack Rock Bar, aqui em Belo Horizonte. O disco está pronto e estamos preparando o lançamento dele para o primeiro semestre de 2018.

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Lançamento do single “Entre o ser e O Que Convém” no Jack Rock Bar

Acho que nesse momento do post, você já desistiu ou conseguiu perceber que como na vida de qualquer Manager ou Head, tive que tomar várias decisões. Algumas em conjunto, outras sozinho, mas que, com certeza influenciaram na nossa trajetória até aqui. Das trocas repentinas ou planejadas de integrantes, aos planejamentos das gravações dos discos. De produzir os shows de maneira independente, aos “merchans” e toda parte de busca de apoio e patrocínio para alguns destes eventos. As incansáveis horas de trabalho duro no estúdio seja ensaiando para shows ou compondo, tudo isso intercalando com o meu trabalho fixo.

Foram inúmero os fracassos, várias as conquistas, e tudo isso foi conquistado e compartilhado com muitas pessoas, e o melhor de tudo: aprendemos muito. E continuamos a aprender, todo dia, no convívio diário e a cada meta colocada a postos pela equipe, pronta para ser batida.

E qual é o resultado disso tudo?

Sucesso! Simples assim!

Para mim, sucesso não é ser mainstream, tocar para multidões e ganhar milhões. Sucesso pra mim, é tocar com as bandas que admiro, ter um público mesmo pequeno, é fiel e se importa com meu som, O NOSSO SOM!

Sim, hoje a Riviera não é apenas um “eu” mais e sim um MONTE de pessoas que estão por ai, seja nos bastidores, como apoiadores e patrocinadores, técnicos de som, fotógrafos, roadies; seja no palco dividindo a emoção de tocar para amigos e fãs; ou apenas quem nos escutou em alguma vez na vida vendo nosso vídeos e/ou ouvindo nossas músicas nas nossas redes sociais. É um organismo, que cresce conforme vamos trabalhando e alimentando-o com mais dedicação e zelo.

Sucesso é cada sprint entregue pela equipe, cada retrospectiva enaltecendo os acertos para se tornarem prática e identificando os erros, para correção e melhoria de crescimento contínuo e constante. É ver que, o que você entrega no dia a dia, faz diferença.

Sucesso é conseguir estimular direta e indiretamente todos que te rodeiam em um único propósito, é liderar e ser liderado. Por que o sucesso é um “ser vivo”, feito de várias pessoas que querem dar o seu melhor em cima de algo que, para todos os envolvidos, fazem um enorme sentido! E nessa maratona que é o sucesso, eu vou aprendendo todo dia, seja com a banda, ou com quem eu divido minhas 8 horas mínimas diárias de segunda a sexta no meu trabalho!


Gostou do texto? Tem alguma dúvida, crítica e/ou sugestão? Use os comentários para me mandar feedbacks e compartilhe com quem interessar sobre o assunto! 😀

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