Perrengues de bandas na estrada: quem nunca?

Só quem já viajou com uma banda para fazer shows sabe que sempre haverá a chance de acontecer pequenos perrengues durante o percurso (ou nem tão pequenos assim). Por isso convidamos seis músicos que nos contaram com detalhes algumas de suas aventuras bem peculiares pelas estradas no Brasil e algumas delas são surpreendentes! Confira as histórias e aproveite para conhecer um pouco do som de cada um deles 😉

A passos de tartaruga – Almir Chiaratti

“O carro quebrou a 300 km do Rio, voltando da tour com a Chico de Barro em MG. A gente parou no meio do nada nas cercanias da cidade de Ressaquinha, e ficou esperando a nossa abdução acontecer porque tenho certeza que são nesses casos que as pessoas têm experiências de 3º grau com alienígenas. Estávamos lá, eu e a banda Chico de Barro, quando o carro começou a superaquecer. O que rolou foi que o carro era 1.0 e as ladeiras de BH esquentaram o carro e uma mangueira responsável pela refrigeração derreteu. Quando a gente saiu do carro, deu pra ver um líquido vermelho sangue estava saindo e a gente começou a ficar bem bolado. Aí um responsável pela estrada brotou do nada e eu pensei, é assim que gente morre, certeza também. Mas não era nosso dia, e o rapaz nos ajudou e tivemos que parar de 15 em 15 minutos pra encher o tanque de arrefecimento do carro. Nesse ritmo de procissão a gente fez uma viagem de 4 horas durar 9, mas deu tudo certo.”

Aventura no Paraguai – Arthur Maximilliano / Codinome Winchester

“Há dois momentos na história da banda muito interessantes na estrada:

1 – Foi a primeira viagem da banda e estávamos em 2014. Tínhamos dois shows marcados, Dourados e Pedro Juan Caballero (Paraguai). Os dois shows foram muito legais, as pessoas presentes curtiram muito. Porém, no Paraguai, o nosso antigo baixista, Rafael Taveira, foi abordado por um rapaz com uma faca no meio do caminho para a farmácia – ainda bem que ele estava sem objetos importantes. Isso sem contar que ficamos em um quarto de hotel para 6 pessoas onde havia baratas e era bem sujo (o banheiro era praticamente junto das camas). Para coroar a viagem, na volta, um dos carros ganhou uma batida que um cachorro fez (Sim), ele era bem grande.

2 – Foi a última viagem que ocorreu da banda até o exato momento (novembro de 2017). Partimos de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) para tocarmos em Joinville e Florianópolis (SC). O grande problema foi ter saído um pouco mais tarde do que o esperado e pegarmos a parte da serra à noite e na chuva, ganhamos muita experiência (XP) de uma hora para outra na estrada. Após isso, o cenário Silent Hill tomou conta da estrada, cenas de filme de terror de verdade. Além disso, pegamos cerca de aproximadamente cinco engarrafamentos e quase atropelamos um pequeno tatu (coitado)”.

O pneu guerreiro – Fred Mattos / Sound Bullet

  
“Era 2015. Já tinhamos feito algumas viagens pra tocar em MG, quando fomos chamados para o Churrasbowl, um festival de skate, com churrasco e apresentação de bandas em Contagem/MG, ao lado dos grandes amigos da Rivotrio e da Topics Apart, do Rio, da Elízia e Quase Solo, de BH. Até aí, tudo bem. Como era num domingo, precisávamos ir em um transporte que nos desse a possibilidade de voltar pra trabalhar segunda de manhã. Foi sugerido alugar uma van e rachar os custos entre as três bandas do RJ. Foi nos indicado um famoso motorista aqui da baixada fluminense, já tinha transportado vários músicos underground, inclusive indo até BH pouco tempo antes.
Tudo certo.
O horário para sair era 6h do domingo. Chegamos ao ponto marcado um pouco antes e nada do motorista aparecer. Quando, finalmente, conseguimos contato, cerca de uma hora depois, ele disse que estava a caminho, que tinha perdido a hora. Quando chegou, a van estava inacreditavelmente baleada. Muitos amassados, a porta com defeito. Uma situação triste. Entramos mesmo assim (com o Diego Paiva que tinha ido pra ajudar conseguindo alocar tudo) e fomos embora. Durante a ida, apesar da van sofrer um pouco em algumas subidas, deu tudo certo. Atrasamos muito, mas chegamos a tempo. Todas as bandas tocaram sets reduzidos, mas até aí, o menor dos problemas. Era um festival bem simples, um pessoal ainda inexperiente, mas totalmente de bem e com boa vontade.
Dado importante: o piloto era pra descansar durante o dia e os shows, já que voltaríamos quando acabasse (o que significaria noite e um pouco da madrugada)​.
Na volta tudo começou a dar errado: a van ferveu logo na sa​í​da de C​ontagem, e nisso, passou num olho de gato e furou o pneu dianteiro direito (guardem essa info). Paramos no posto, trocamos o pneu, consertamos e fomos embora. Os faróis estavam muito irregulares, iluminando nada e apontando fora da estrada. Isso fez com que passássemos num barranco e quase capotássemos, furando de novo o mesmo pneu. A contragosto, paramos num posto e decidimos ficar por lá até amanhecer. De manhã, a van não pegava, vimos a cena ridícula dela sendo puxada seguidamente por um caminhão e uma picape, corda arrebentando nesse processo.
Conseguimos partir! No meio da estrada, fura o pneu de novo (terceira vez). Consertamos e fomos embora! Passa mais uns 200 km, o pneu simplesmente estoura onde não tinha nada. Enquanto o motorista vai buscar ajuda, a gente decide que vai ser melhor parar em alguma cidade perto e voltar de ônibus. Uma borracharia perto de onde ocorreu o problema (o quarto!) troca o pneu e vamos de novo. Não deu 5 minutos e o pneu estoura de novo. Numa manobra arriscada, o motorista nos deixa num restaurante próximo, mesmo com o pneu arrebentado. Discutimos com ele que não seguiríamos viagem e ficaríamos por lá mesmo. Na busca por soluções, conseguimos contato com o membro da Topics que tinha ido de carro e ele passou no local para dar carona pra alguns. Consegui contato com meu pai, que mora numa cidade próxima ao lugar, e também deu carona pra alguns pegarem ônibus na rodoviária de Três Rios e trouxe a Sound Bullet ao Rio.
E assim terminou a história. Depois vimos que esse motorista parou de fazer transporte nessa van. Tentou fazer um crowdfunding pra fazer ela ficar nas melhores condições. O importante é que estamos todos bem. Mas, ficou a lição.”
 

Esquece os cabos, mas não esquece a higiene! – André Ribeiro / Alaska

“Em nossa primeira passagem pelo Rio de Janeiro promovendo o “Onda”, estávamos hospedados em um airbnb que ficava a uma hora do local do show. Cada um fez o checklist dos seus equipamentos, carregamos os carros e fomos para a passagem de som. Após desmontar o palco inteiro e montar do nosso jeito, o Vitor percebeu que tinha esquecido a mochila com os cabos para ligar os teclados porque estava “lavando o pé.”

A banda que fecharia o show (Two Places at Once) topou inverter os horários para conseguirmos buscar a mochila. Eles foram 100% responsáveis pela energia excelente da noite e hoje temos a honra de chamá-los de amigos.​”

Quando o posto rodoviário não é tão sagrado assim – Gabriel Santana / Components

“Então, a gente não tem nenhuma história de perrengue particularmente em estrada. Já rolou problema em casa de show, rolê na cidade que fomos tocar, apartamento que nos hospedamos, etc e tal. Especificamente em estrada, o mais “engraçado” de acontecer foi durante a viagem pro festival Vaca Amarela – Edição Olímpica, em 2016:
O ônibus que levava a gente e o resto das bandas e comitiva do festival traçou a maior parte do trajeto entre Goiás e Rio de Janeiro pelo estado de Minas Gerais. Por algum motivo, nessa estrada só tem posto da marca Graal! A viagem ao total deve ter durado umas 24 horas, nisso a gente deve ter parado em uns 15 “Graais”.
Mas até aí nenhum problema, né, inclusive é ótimo que a gente tenha acesso a posto/assistência no meio do caminho e tudo mais com tanta frequência. Porém a tragédia acontece quando um prato de comida à kilo é um assalto às nossas carteiras! Tudo nesses postos é demasiadamente caro, sem falar que a comida não faz jus ao preço. Podemos dizer que esses postos “Graais” não contribuem com o orçamento limitado que uma banda pequena/média tem disponível.
Tirando esse incômodo de pagar R$ 30 reais pra comer 2 colheres de arroz e feijão velho de beira-de-estrada, o resto da viagem foi ótimo.”
 

Um pequeno acidente de percurso – Larissa Conforto / Ventre

Eu fui atropelada na esquina da São João com a Ipiranga. Estávamos eu, Hugo e a Joana, que abrigou a gente em São Paulo na nossa primeira ida. A gente foi tocar na Trackers, numa festa chamada Esbórnia, que a galera do Mel Azul produz. E a gente resolveu dar uma voltinha antes do show. Fomos na Galeria do Rock, e a gente resolveu descer antes do ônibus pra dar uma caminhada no centro. A gente ficou esperando o sinal fechar, parados exatamente no Bar Brahma, quando um carro entra na calçada e me atropela, apenas! Eu passei o dia no Hospital das Clínicas e fiz o show sem tocar no hi-hat com o pé pra cima.

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