Se for beber, assista ao show!

Esse não será um post politicamente correto. O tema hoje é sobre a utilidade dos chamados lubrificantes sociais para transformar a nossa experiência num show. Sou contra os excessos e exageros que possam ocasionar a perda da apresentação (ou a perda de memória depois), mas passei a acreditar que talvez esse seja um detalhe crucial para deixar a noite ainda melhor.

Até meados de 2006, 2007, eu nunca tinha consumido uma gota de álcool num show. Meu pensamento era: “preciso ficar sóbrio para aproveitar o máximo possível e não ficar bêbado vomitando no banheiro”. Era uma questão de princípios. Valia a pena para mim na época. Isso tudo começou a mudar na minha primeira visita ao lendário Circo Voador, no Rio de Janeiro.

Era também meu primeiro show do Móveis Coloniais de Acaju. No vídeo abaixo dá para ter uma ideia de como foi. Aliás, eu até apareço pulando como uma lagartixa magrela de camiseta preta pulando pra lá e pra cá.

Nesse dia, provavelmente inspirado pela realização do sonho de conhecer um dos maiores templos do rock nacional ou pelo pé na bunda que levei de uma ex-namorada que pediu para que eu escolhesse entre ela ou o Incubus (escolhi o Incubus e por isso ela virou ex), decidi experimentar. Bebi. Bebi o suficiente para ficar bêbado (isso significa uma caipirinha e meia).

A experiência foi tão boa que decidi usar os shows do Móveis como desculpa para ficar pra lá de Bagdá. Não me sinto culpado porque se existia um show que todo mundo deveria ver alterado é do Móveis Coloniais de Acaju. A pegada latina deles era excitante demais para ser apreciada sem balançar o traseiro.

Ao contrário dos meus amigos, realmente não era muito a minha onda beber demais em shows. Foram raras as ocasiões em que bebi além do meu limite (de duas Heinekens antes de dar boa noite para o poste), mas a maioria delas resultaram em casos hilários. Um exemplo, foi uma apresentação do RPM em Belo Horizonte, quando convenci o John que o show ficaria melhor se a gente tomasse umas doses de tequila. De fato, ficou.

Num passe de mágica, o Paulo Ricardo virou um gênio que combinava peripécias musicais em forma de covers surreais com os comentários mais propícios para garantir as gargalhadas de dois caras que cantavam o show inteiro depois da terceira rodada de tequila. Para coroar a noite, ainda fui cantado por uma tia que perdeu o sapatinho dela no meio da multidão. Na minha cabeça, parecia cena de uma releitura bizarra de Cinderela.

Existiu também o episódio do Rock in Rio 2011, mas isso merece um comentário exclusivo em outra ocasião.

De qualquer forma, a minha conclusão é que bebida realmente ajuda a melhorar o ambiente. Torna até mesmo uma apresentação frustrante do Detonautas em algo inesquecível. Exagerar ao ponto de perder a noção ainda é algo que desprezo porque sou pão duro demais para imaginar gastar dinheiro com ingresso e me foder por causa de bebida.

Uma pena que um certo festival que rola no Brasil nos prive de boas cervejas, pois isso tornaria tudo ainda melhor.

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