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Pearl Jam vs. Nirvana: A treta que quase destruiu o Grunge antes dele virar moda

Se você vivesse em Seattle no início dos anos 90, teria que escolher um lado. Não era apenas sobre música; era sobre filosofia de vida. De um lado, tínhamos o Nirvana, os “rebeldes com causa” que queriam implodir o sistema. Do outro, o Pearl Jam, os “operários do rock” que estavam vendendo milhões de discos e lotando estádios.

E no centro dessa tempestade estava Kurt Cobain, um homem que não tinha medo de usar a língua como uma navalha.

O ataque de Kurt: “Comerciais e sem alma”

Kurt Cobain era um purista do punk. Para ele, o sucesso deveria ser um acidente, não um objetivo. Quando o álbum Ten começou a rivalizar com Nevermind nas paradas, Cobain não ficou feliz. Ele foi para a imprensa e disparou contra o Pearl Jam, chamando-os de “banda de estúdio” e acusando-os de surfar na onda do grunge sem ter raízes no movimento.

“Eles são uma banda comercial. Eles só estão no vácuo do que a gente fez”, dizia Kurt. Ele chegou a chamar o som de Vedder e companhia de “rock corporativo mascarado de alternativo”.

O alvo principal era a sonoridade mais limpa e os solos de guitarra de Mike McCready, que Kurt considerava uma heresia vinda de quem dizia ser “indie”.

A elegância de Eddie Vedder

Enquanto Kurt destilava veneno, Eddie Vedder fazia o oposto. Vedder, que já lidava com seus próprios demônios e com a pressão esmagadora da fama, sempre respondeu com respeito. Ele nunca devolveu os insultos. Pelo contrário, dizia que entendia a frustração de Kurt e que o Nirvana era uma banda necessária.

Essa postura “zen” de Vedder começou a quebrar o gelo. Afinal, era difícil continuar odiando alguém que se recusava a lutar.

O aperto de mão no MTV Video Music Awards de 1992

O ápice e o fim da treta aconteceram em um dos momentos mais memoráveis da história da MTV. Nos bastidores do VMA de 1992, nos corredores do Pauley Pavilion, os dois titãs do grunge finalmente ficaram cara a cara.

Em vez de uma briga de bar, o que aconteceu foi um momento de trégua. Eles se abraçaram e até dançaram juntos (lentamente!) enquanto Eric Clapton tocava “Tears in Heaven” no palco. Ali, Kurt percebeu que Vedder não era o vilão corporativo que ele imaginava, mas apenas outro cara tentando sobreviver ao caos que Seattle havia se tornado.

Posteriormente, Kurt admitiu em entrevistas: “Eu costumava dizer que odiava o Pearl Jam, mas eu nunca deveria ter atacado o Eddie. Ele é uma pessoa adorável”.

O legado do conflito

Para o viajante musical que hoje visita o MoPOP (Museum of Pop Culture) em Seattle, essa treta parece distante, mas ela moldou a identidade do rock alternativo. O Nirvana trouxe a urgência e a destruição; o Pearl Jam trouxe a resiliência e a longevidade.

Sem a crítica ácida de Kurt, talvez o Pearl Jam não tivesse se tornado a banda politizada e “anti-corporação” que peitou a Ticketmaster anos depois. E sem a amizade de Vedder, talvez Kurt tivesse se sentido ainda mais isolado em seus momentos finais.

No fim das contas, a “Guerra de Seattle” terminou em empate, com o rock ganhando dois dos maiores discos de todos os tempos.


E você, era do time “Nevermind” ou do time “Ten”? Acha que o Kurt tinha razão em desconfiar do sucesso ou o Eddie provou que dá para ser gigante e autêntico ao mesmo tempo? Deixa sua opinião nos comentários — sem briga, a gente não tá mais em 1992!