Se o objetivo de um show do intervalo é apenas entreter com fogos de artifício e coreografias, alguém esqueceu de avisar ao Bad Bunny. O “Conejo Malo” transformou o evento mais norte-americano do planeta em uma celebração visceral de Porto Rico e de todo o continente. E o golpe final não veio em um agudo da Lady Gaga (que estava incrível, diga-se de passagem), mas em uma simples mensagem escrita em uma bola de futebol americano.
Enquanto o mundo tentava processar a cenografia da icônica La Casita rosa no meio do estádio, Benito Martínez segurou a bola e revelou o recado que viraria o assunto principal de 2026:
“Juntos, somos a América”.
O significado por trás da bola
Para um desavisado, a frase parece um slogan de união clichê. Mas, no contexto político atual dos Estados Unidos — sob a gestão de Donald Trump e sua agenda anti-imigração —, a mensagem foi um míssil teleguiado.
Ao citar, um por um, todos os países do continente e encerrar com essa frase na bola, Bad Bunny deu uma aula de geografia e resistência: ele lembrou ao mundo que “América” não é apenas um país, mas um continente inteiro, do Alasca à Terra do Fogo, unido pela cultura, pelo suor e, agora, pelo ritmo do reggaeton.
A fúria da Casa Branca
Como era de se esperar, o presidente Donald Trump não demorou para usar as redes sociais e classificar a apresentação como uma “afronta à grandeza dos Estados Unidos”. Para Trump, ver um show quase inteiramente em espanhol no coração da NFL foi o “pior de todos os tempos”.
Mas, para o musicaviajante.com.br, o que vimos foi a excelência criativa de um artista que não precisou falar inglês para ser o mais escutado do planeta em 2025. Ter Lady Gaga cantando salsa e Dona Tonita (do icônico Caribbean Social Club) servindo uma bebida no palco foi o ápice da representatividade latina.
Muito além do campo
A NFL pode ter movimentado US$ 17 bilhões, mas o valor simbólico de Bad Bunny exaltando os trabalhadores do campo de cana-de-açúcar e os senhores do dominó para 234 milhões de pessoas é incalculável. Ele não estava ali apenas como um popstar; ele estava ali como um embaixador de Nuevayol e de cada porto-riquenho que mantém sua identidade viva mesmo sob a bandeira estrelada.
No fim das contas, os Seahawks levaram o troféu para Seattle, mas Bad Bunny levou a alma do Super Bowl para o Caribe. Se Trump queria “excelência e criatividade”, ele recebeu o pacote completo — só que com tempero caribenho e um sotaque que ele claramente não consegue traduzir.
E aí, viajante? Você acha que o Super Bowl deve ser exclusivamente “em inglês” ou o Bad Bunny provou que a verdadeira América fala todas as línguas? Comenta aqui embaixo se você também sentiu orgulho desse recado na bola!

