A turnê embriagada do Black Sabbath que inspirou Spinal Tap

Stonehenge gigante e demônios saltitantes: A turnê “embriagada” do Black Sabbath que inspirou Spinal Tap

Se você acha que as decisões da sua vida após algumas rodadas de cerveja são ruins, sinta o drama de Ian Gillan. O lendário vocalista do Deep Purple se viu em uma situação, no mínimo, curiosa em 1982: ele estava sem banda, sem dinheiro e, após uma noite de bebedeira homérica com Tony Iommi e Geezer Butler, acordou como o novo vocalista do Black Sabbath.

“Eu aceitei entrar na banda quando estava completamente bêbado… eu estava literalmente debaixo da mesa. Não tenho muita lembrança do que aconteceu”, confessou Gillan em entrevista resgatada pela Far Out Magazine. O resultado dessa união improvável foi o álbum Born Again, mas a verdadeira lenda nasceu na estrada.

O erro de cálculo monumental (literalmente)

A turnê de Born Again entrou para os anais do rock por um motivo específico: um cenário de Stonehenge em tamanho real.

Segundo Gillan, a ideia veio do baixista Geezer Butler. Quando os designers perguntaram como ele visualizava o set, Geezer respondeu com a maior naturalidade do mundo: “Bom, em tamanho real, é claro”. O problema? Eles levaram a instrução ao pé da letra. O resultado foi uma escultura de fibra de carbono tão colossal que não cabia na maioria dos palcos.

Essa presepada foi a inspiração direta para a famosa cena de This Is Spinal Tap, onde a banda encomenda um Stonehenge e recebe uma miniatura de 45 centímetros. No caso do Sabbath, o erro foi para o outro lado, mas o nível de ridículo foi o mesmo.

O bebê satânico e o “apagão” de memória

Como se um Stonehenge gigante não fosse o suficiente, a banda resolveu incluir um figurante para interpretar o bebê demoníaco da capa do disco. O plano era que ele se jogasse do topo da escultura sobre um colchão. O problema? O pouso nunca era suave, e o efeito visual era mais cômico do que assustador.

Para completar o cenário de Spinal Tap na vida real:

  • Colas no palco: Gillan, vindo de uma vibe muito mais hard rock, não conseguia decorar as letras sombrias do Sabbath e precisava de folhas coladas no chão para conseguir cantar.

  • Druidas trapalhões: A equipe de estrada tentava se fantasiar de druidas para criar um clima espectral, mas acabavam parecendo apenas pessoas confusas em lençóis.

“Eu passei o tempo todo bêbado”

Ian Gillan não esconde que sua passagem pelo Black Sabbath foi um borrão etílico. Ele chegou a dormir em uma barraca do lado de fora do estúdio de gravação porque as festas dentro da casa eram intensas demais até para ele. Tony Iommi, por outro lado, lembra que a união parecia estranha até no papel: “Ian é um grande cantor, mas ele vem de um background completamente diferente”.

Apesar das críticas ao álbum e do caos da turnê, o episódio rendeu algumas das melhores histórias do rock. Provou que, quando você mistura o misticismo do Sabbath com a energia festeira de Gillan, o resultado não é “Deep Sabbath” ou “Black Purple”, mas sim uma comédia de erros que o cinema jamais conseguiria inventar sozinho.


E você, teria coragem de encarar um Stonehenge em tamanho real no seu jardim? Acha que o Ian Gillan combinou com o Black Sabbath ou foi apenas um “delírio coletivo” regado a uísque? Comenta aqui embaixo!