Paul McCartney, ex-Beatle, que revelou detalhes sobre sessão de 1982 com Stevie Wonder

Quem É o Cantor Que Paul McCartney Sempre Quis Ter na Banda? A Resposta Está em “Ebony and Ivory”

Paul McCartney, ex-Beatle
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

A supersessão de 1982 que quase virou banda

Em 1982, Paul McCartney reuniu num mesmo estúdio — entre os estúdios de George Martin em Londres e Montserrat, no Caribe — um time de peso: Ringo Starr, Denny Laine, Carl Perkins, Andy Mackay e Stevie Wonder. O resultado imediato foram faixas como “What’s That You’re Doing?” e o megahit “Ebony and Ivory”, que chegou ao topo das paradas e virou uma das parcerias mais lembradas da carreira do ex-Beatle.

O que pouca gente sabe é que, segundo o próprio McCartney revelou em entrevista à Music Express — resgatada agora pela Far Out Magazine e replicada pela Rolling Stone Brasil — aquele encontro poderia ter sido o embrião de uma banda fixa. E Stevie Wonder era, nas palavras do músico, o parceiro que ele “sempre quis” ter num projeto permanente.

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“Eu sempre quis fazer esse tipo de coisa”

McCartney foi direto ao explicar o que passava pela cabeça dele naquela sessão: “Eu sempre quis fazer esse tipo de coisa.” A frase sugere que a ideia de reunir múltiplos ícones em um só projeto vinha de longa data — algo entre um supergrupo e uma jam session profissional, no estilo que décadas depois viraria comum na indústria (pense em qualquer colaboração-relâmpago que hoje vira trending topic no streaming).

Só que, ao mesmo tempo, o ex-Beatle explicou por que nunca formalizou nada disso em uma banda permanente: ele preferia colaborações temporárias, nas quais os artistas pudessem ser convidados de volta caso as sessões dessem certo — sem o compromisso, o desgaste e a política interna que normalmente vêm junto de um grupo fixo. Em outras palavras: depois de sobreviver à ruptura dos Beatles, McCartney parece ter aprendido a lição de nunca mais repetir o modelo “banda para sempre”.

Questionado se algum dono de estádio ou gravadora já tentou ditar suas escolhas artísticas, McCartney foi ainda mais direto: “Ninguém nunca me manda fazer nada. Eu faço o que eu quero.”

Por que Stevie Wonder, especificamente?

A química entre os dois já vinha de antes. Wonder, um dos artistas mais influentes da música americana, sempre citou os Beatles como referência em sua trajetória — da abordagem conceitual de álbuns completos até a disposição de transitar entre estilos musicais sem medo de perder identidade. Essa conexão artística, construída ao longo de anos de admiração mútua, ajuda a explicar por que McCartney enxergava em Wonder um parceiro “natural” para um projeto de longo prazo, e não apenas um convidado especial em uma faixa.

“Ebony and Ivory”, aliás, resume bem essa afinidade: uma canção sobre convivência e igualdade racial, cantada a duas vozes, que se tornou símbolo pop de uma parceria genuína — mesmo sendo, tecnicamente, uma colaboração pontual e não o início de uma banda.

O supergrupo que nunca existiu (mas quase existiu)

Vale lembrar que aquela sessão de 1982 não reuniu apenas Wonder: Carl Perkins, um dos pais fundadores do rockabilly e referência direta para os próprios Beatles, também estava lá, assim como Ringo Starr. Ou seja, McCartney tinha, literalmente dentro do estúdio, os ingredientes para uma superbanda genuína — e decidiu, de forma consciente, não formalizar nada disso.

Esse tipo de bastidor ajuda a explicar por que McCartney segue sendo estudado tanto como artista solo quanto como arquiteto de colaborações: ele foi, ao mesmo tempo, o cara que topou uma sessão histórica com Stevie Wonder e o cara que preferiu manter tudo como “amigos que gravam juntos de vez em quando” — nunca mais uma banda fixa, depois de tudo que já tinha vivido (e sofrido) com os Beatles.

Para quem gosta de garimpar esse tipo de curiosidade sobre bastidores dos Beatles, vale conferir também a demo rara de “Day Tripper”, que mostra Lennon e McCartney rindo enquanto compunham o riff que se tornaria um dos mais icônicos do rock.

Fonte: informações originalmente publicadas pela Music Express e resgatadas pela Far Out Magazine, com replicação da Rolling Stone Brasil.