Prepare a camisa xadrez e o fone de ouvido, porque o rock nacional está prestes a ter sua história lavada, enxaguada e, finalmente, explicada. Se você cresceu nos anos 90, sabe que o Raimundos não era apenas uma banda; era uma entidade cultural que conseguiu a proeza de misturar o peso do punk com a malícia do forró e o sotaque de Brasília. Mas, por trás dos milhões de discos vendidos, havia uma ferida aberta que levou décadas para cicatrizar.
Nesta quinta-feira, 19 de março, o Globoplay estreia “Andar na Pedra – A História do Raimundos”, uma série documental em cinco episódios que promete ser a imersão definitiva na trajetória do grupo. E a grande notícia que parou a internet? Rodolfo Abrantes, o eterno frontman que deixou a banda no auge em 2001, aceitou participar e abrir o jogo.
Aqui está tudo o que você precisa saber sobre esse lançamento histórico para o musicaviajante.com.br.
O mistério de 2001: Por que Rodolfo saiu?
Para o diretor Daniel Ferro, a série não é apenas uma biografia musical, mas a investigação de um mistério que perdurou por 25 anos. O rompimento de Rodolfo com Digão, Canisso e Fred foi um dos eventos mais traumáticos do show business brasileiro. No topo da popularidade com o álbum Só no Forévis, Rodolfo anunciou sua conversão religiosa e deixou os companheiros “na mão”, gerando um silêncio que durou décadas.
O documentário promete revelar, de forma “convincente” e inédita, os reais motivos dessa saída. Foram cinco anos de negociações e conversas individuais para que Rodolfo e Digão aceitassem falar abertamente sobre a amizade quebrada. O ponto de virada para o projeto foi em 2020, quando os dois voltaram a se falar, permitindo que Ferro iniciasse essa “autópsia” emocional da banda.
Canisso: O adeus que mudou o documentário
Um dos aspectos mais emocionantes e melancólicos da produção é a presença de Canisso. O baixista, que faleceu subitamente em março de 2023, havia gravado horas de depoimentos antes de sua partida.
Daniel Ferro revelou que a morte de Canisso alterou completamente a dinâmica da série. Teremos o privilégio de ver o músico refletindo sobre sua própria vida e legado, enquanto a narrativa precisa lidar, em tempo real, com a sua perda. É um testamento póstumo de um dos caras mais autênticos do rock brasileiro, dando ao projeto uma dimensão espiritual e profunda.
Uma trilha sonora que conta a história
O título “Andar na Pedra” não foi escolhido ao acaso. A música, presente no disco de estreia de 1994, serve como metáfora para o caminho tortuoso e sofrido que os músicos escolheram. A série utiliza a própria discografia do grupo para dialogar com os fatos:
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A explosão: O punk-forró de “Selim” e “Puteiro em João Pessoa”.
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O amadurecimento: O peso de “Lapadas do Povo”.
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O fenômeno pop: O sucesso acachapante de “Mulher de Fases” e “A Mais Pedida”.
Além dos membros da formação clássica, o documentário traz vozes de peso da cena, como Dinho Ouro Preto, Tico Santta Cruz e Serginho Groisman, além de imagens de arquivo que estavam guardadas há 30 anos e foram digitalizadas pela primeira vez.
O Legado dos “Brasilienses Malucos”
O Raimundos conseguiu algo que poucas bandas fizeram: ser unânime. Eles eram adorados pelos punks, pelos metaleiros e pela galera que só queria dançar um forró no interior. Eles trouxeram o “fulejo” para o mainstream e provaram que o rock brasileiro podia ter uma identidade regional fortíssima sem perder o peso internacional.
Hoje, a banda segue com Digão nos vocais e guitarra, mantendo a chama acesa, mas a série do Globoplay é a chance de celebrar aquele quarteto mágico que mudou as rádios do Brasil.
Por que assistir?
Se você viaja pelo Brasil atrás de festivais, sabe que o repertório do Raimundos é obrigatório em qualquer rodinha de violão ou palco de rock. Entender as origens desses caras é entender uma parte fundamental da cultura jovem dos anos 90. Prepare o lenço, porque ver Rodolfo, Digão, Fred e Canisso (mesmo que em épocas diferentes) compartilhando a mesma tela é o “fan service” que a gente esperou uma vida inteira para ver.
E aí, você acha que o Rodolfo vai finalmente pedir desculpas ou vai manter a postura de que “fez o que precisava ser feito”? Qual é a música do Raimundos que mais marcou a sua vida? Comenta aqui embaixo e vamos preparar a maratona para quinta-feira!

