Prepare o fone de ouvido para uma experiência que desafia os rótulos do metal brasileiro. O Sepultura está em plena turnê de despedida, mas se alguém achou que eles iriam embora sem antes arriscar e inovar, estava muito enganado. O novo EP, “The Cloud of Unknowing”, que chega ao mundo no dia 24 de abril, acaba de ganhar sua segunda prévia — e ela traz um peso histórico que vai muito além das guitarras distorcidas.
Aqui está a cobertura completa para o musicaviajante.com.br, sobre o encontro de gigantes entre o Sepultura e os Titãs.
Se você é fã de longa data do Sepultura, sabe que “balada” não é exatamente o termo mais comum no dicionário da banda. Mas “Beyond the Dream”, o novo single liberado nesta terça-feira (31), prova que a maturidade artística do grupo permite incursões por terrenos muito mais melódicos e introspectivos. A faixa é a segunda amostra do EP The Cloud of Unknowing e segue os passos de “The Place”, apresentando um Derrick Green explorando vocais limpos e carregados de emoção.
O grande destaque, porém, é a colaboração de luxo: Sérgio Britto e Tony Bellotto, dos Titãs. A relação entre as duas bandas é antiga e fraternal, e em “Beyond the Dream”, essa química transborda em uma letra que reflete sobre as décadas vividas na estrada, as glórias e as cicatrizes de quem dedicou a vida ao rock.
A Era Greyson Nekrutman e o DNA de Miami
Este EP marca o primeiro registro de estúdio do fenômeno americano Greyson Nekrutman com a banda. Assumindo as baquetas na turnê de despedida “Celebrating Life Through Death” (vaga deixada por Eloy Casagrande, agora no Slipknot), Greyson mostra que tem técnica de sobra para segurar o groove complexo do Sepultura, mesmo em passagens mais lentas e atmosféricas.
Segundo Andreas Kisser, o material nasceu de forma orgânica em janeiro de 2025, em Miami, logo após a banda tocar no cruzeiro 70,000 Tons Of Metal.
“Tínhamos um estúdio, algumas ideias e decidimos fazer. Sem pressão de gravadora, sem prazo. Foi ótimo fazer no nosso tempo”, revelou o guitarrista em entrevista à Blabbermouth.
O que esperar de “The Cloud of Unknowing”?
O EP conta com quatro faixas no total. Além das já conhecidas “Beyond the Dream” e “The Place”, os fãs podem aguardar as inéditas “Sacred Books” e “All Souls Rising”. É um testamento final de estúdio que mostra uma banda em paz com seu legado, mas ainda inquieta o suficiente para colaborar com ícones do rock nacional como os Titãs.
Mas a despedida não para por aí. Andreas Kisser já confirmou que um álbum ao vivo monumental está nos planos, reunindo 40 músicas gravadas em 40 cidades diferentes ao redor do mundo durante esta turnê histórica.
Sepultura de leve
Ver o Sepultura se despedir com um projeto tão experimental e colaborativo é um presente para os fãs. O encontro com os Titãs em uma balada é o fechamento de um ciclo de respeito mútuo que define a música pesada brasileira. Se você está acompanhando a turnê, saiba que está presenciando o fim de uma era, mas uma que está sendo celebrada com a dignidade e a criatividade que só os gigantes possuem.
E você, o que achou do Derrick Green cantando com voz limpa ao lado do Tony Bellotto? Acha que essa pegada mais “balada” combina com o fim da jornada do Sepultura ou você ainda prefere o caos sonoro de “Roots” e “Arise”? Comenta aqui embaixo!

