Guns-N-Roses

O álbum que Duff McKagan e Axl Rose consideram uma obra-prima: “Eles se tornaram meus”

Amados ou odiados, o Guns N’ Roses nunca foi sinônimo de tédio — e quem disser o contrário provavelmente não prestou atenção. Afinal, estamos falando de uma banda cujo vocalista possui uma das maiores extensões vocais da história do rock, um guitarrista que parece capaz de tocar mil notas por minuto sem mover um músculo, e um baixista que já afirmou ter passado uma década sem beber água — só álcool.

Desde o início, a banda deixou claro que a mesmice não tinha espaço em seu caminho. Mas antes do estrelato global, veio o caos: a primeira turnê da banda foi um desastre completo, com direito a van quebrada, instrumentos abandonados na estrada e cachês cortados pela metade. O episódio ficou conhecido pelos próprios membros como a “Hell Tour”, quase encerrando a banda antes mesmo de começar.

Mas se há algo que essa jornada inicial revelou, é que por trás da estética hard rock e dos riffs explosivos, o Guns carregava um DNA essencialmente punk — com um leve toque de figurino inspirado no Prince.

A obra-prima que moldou o espírito do Guns

Para Duff McKagan e Axl Rose, um disco em especial resumiu tudo o que o rock’n’roll deveria ser: “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols”, lançado em 1977. Um marco do punk britânico, o único álbum dos Sex Pistols serviu como uma espécie de manual espiritual para a banda americana em seus anos formativos. [Via Far Out Magazine]

“Eu estava ouvindo muito Alive! do Kiss”, contou McKagan em entrevista à Louder. “Strutter, Firehouse, esse tipo de som — ótimo rock de três acordes. E então alguém me mostrou os Pistols. O Kiss foi uma boa introdução… mas os Pistols eram de verdade.”

McKagan, o caçula de oito irmãos, lembra do impacto imediato. “Ninguém na minha família sabia quem eram os Sex Pistols. Então eles se tornaram meus. Eu era muito novo pra entender tudo, mas aquilo mexeu comigo.”

O efeito foi semelhante com Axl Rose, que citou o disco como um de seus três favoritos de todos os tempos. Em entrevista antiga, o vocalista disse: “Sempre que vejo um toca-fitas e não estou com as minhas fitas, compro Never Mind the Bollocks e Queen II.” Natural, considerando a combinação de fúria anárquica e teatralidade que sempre definiu Axl como frontman.

Foi esse espírito “faça você mesmo”, raivoso e irreverente, que inspirou o Guns N’ Roses a cair na estrada despreparado — mas com energia de sobra. Eles sobreviveram à “Hell Tour”, conquistaram o mundo e entraram para a história do rock, mas nunca deixaram de dever uma parte disso a um certo disco britânico de 1977.

E o que achou o vocalista dos Pistols?

Como era de se esperar, John Lydon (Johnny Rotten) não ficou exatamente lisonjeado com a admiração vinda de estrelas do rock mainstream.

“Não quero ser aceito pelo establishment de forma alguma”, disse ele à época. “Porque eu o desprezo profundamente.”

O recado foi direto. Mas se Axl e Duff esperavam outra coisa, talvez não tivessem escutado seu disco favorito com atenção suficiente.

https://www.youtube.com/watch?v=ZQT8dRFeT7Y