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O dia em que Eddie Vedder disse “não” para Bob Dylan: Modéstia ou a maior loucura da história do Rock?

No início dos anos 90, se você jogasse uma pedra em Seattle, acertaria um gênio do rock. Mas ninguém estava mais em demanda do que Eddie Vedder. Com o rosto estampado em todas as capas de revista e a voz de barítono ecoando em cada rádio do planeta, o frontman do Pearl Jam parecia a resposta da Geração X a Jim Morrison. [Via Far Out Magazine]

Mas, enquanto qualquer outro mortal venderia a própria alma para estar sob os holofotes, Vedder passava o tempo tentando, desesperadamente, fugir da fama. Ele parou de fazer clipes, parou de tocar “Black” ao vivo porque a música era “pessoal demais” e, em um lance de pura audácia (ou bom senso etílico), resolveu declinar um convite de ninguém menos que Bob Dylan.

Cervejas, madrugadas e o convite de “Bob”

A história parece saída de um filme cult. Imagine a cena: um pub irlandês em Nova York, chamado Tommy Maken’s, por volta das sete da manhã. Eddie Vedder e Bob Dylan atravessaram a madrugada bebendo canecas de cerveja e jogando conversa fora. Em algum momento entre o último gole e o amanhecer, o bardo de Minnesota virou para o garoto de Seattle e sugeriu: “Vamos escrever uma música juntos?”

Para 99,9% dos músicos da Terra, esse seria o momento de cair de joelhos e agradecer. Mas Vedder, fiel à sua ética punk herdada de Ian MacKaye, simplesmente não levou a sério.

“Ele me chama de Eddie e eu o chamo de Bob”, contou Vedder anos depois. “Ele realmente gosta muito da nossa música. Se ele me pediu para escrever uma canção com ele? Eu não levei a sério. Tínhamos tomado algumas canecas naquela noite.”

O “Não” que salvou o Pearl Jam (ou o Dylan?)

Olhando para trás, em 1993, a decisão de Vedder pode parecer a de um idiota completo, mas há um método nessa loucura. Naquela época, Dylan estava em uma fase criativa morna, enquanto o Pearl Jam estava prestes a entrar na densidade emocional de Vitalogy e No Code.

Vedder estava em frangalhos, tentando processar o fato de ser um ícone global. Colaborar com Dylan naquele momento poderia ter sido o empurrão final para o “estrelato corporativo” que ele tanto temia. Ele preferiu se manter aterrado, cuidando de suas próprias feridas, do que se tornar o “protegido” de uma lenda viva.

A influência invisível

Curiosamente, o “não” de Vedder não azedou a amizade. Dylan continuou respeitando o trabalho do Pearl Jam. E há quem diga — inclusive críticos ferrenhos — que a honestidade brutal e introspectiva do grunge de Vedder acabou influenciando Dylan anos depois, quando ele lançou o aclamado Time Out of Mind.

O grunge tornou “aceitável” ser vulnerável e existencialista novamente no rádio. Se Dylan abriu seu coração em Blood on the Tracks nos anos 70, ele encontrou em Vedder um eco moderno que talvez o tenha ajudado a encontrar o caminho de volta para suas canções mais sombrias e profundas.

O veredito do viajante

Para quem viaja pelo mundo da música, essa história é um lembrete de que o rock não é apenas sobre colaborações gigantescas e momentos de Grammy. É sobre a integridade de saber quando você não está pronto para dividir o palco — ou a caneta — com seus heróis.

Vedder preferiu ser o cara que toma uma cerveja com “Bob” até às sete da manhã do que ser o cara que tentou (e talvez falhou) escrever um hit com Dylan por pura obrigação comercial. No fim das contas, a recusa de Eddie é a prova definitiva de que ele era o cara mais “punk” daquela mesa.


E você, teria coragem de dizer não para o Bob Dylan depois de umas cervejas? Ou será que o Eddie perdeu a chance de criar a “Like a Rolling Stone” da nossa geração? Comenta aqui embaixo se você acha que essa música faz falta na sua playlist!