Se você colocar Joe Perry e Steven Tyler em uma sala, a última coisa que você vai encontrar é humildade excessiva. Afinal, os “Bad Boys de Boston” construíram um império baseado em riffs sujos, atitude e ganchos pop que grudam mais que chiclete no asfalto. Mas, quando o assunto é técnica e “punch”, Joe Perry tira o chapéu para um furacão britânico que, segundo ele, redefiniu o que significa ser um instrumentista de elite. [Via Far Out Magazine]
Para Perry, não existe discussão: o Led Zeppelin não foi apenas uma banda; foi uma “tempestade musical” onde cada peça era a melhor do mundo em sua função.
Virtuosismo com “pé no barro”
Crescendo em uma era pré-Eddie Van Halen, o conceito de virtuoso para Joe Perry era diferente do “fritador” de guitarra moderno. Para ele, ser bom não é sobre quantas notas você toca por segundo, mas sobre o peso e a verdade que você coloca em cada acorde.
Embora o Aerosmith tenha sido rotulado diversas vezes como “clones de Zeppelin” no início da carreira, Perry vê isso como o maior dos elogios. Ele acredita que Jimmy Page e companhia tinham uma abordagem “no-bullshit” (sem frescura) que separava os homens dos meninos.
“Eles simplesmente eram os melhores músicos em atividade”, afirmou Perry. “Você podia colocar o Jimmy Page contra qualquer guitarrista do mundo. O mesmo valia para o Bonzo [John Bonham] na bateria e para o herói não cantado deles, John Paul Jones.”
O “Furacão” Led Zeppelin
Para Perry, ouvir os primeiros discos do Zeppelin era como ser atingido por um tornado. Enquanto o Aerosmith focava no groove e no ritmo — algo que Joe admite ter bebido muito da fonte de James Brown —, o Zeppelin trazia uma dimensão quase clássica e mística para o blues.
Ele destaca especialmente John Paul Jones, o baixista e tecladista que muitas vezes fica à sombra do carisma de Robert Plant. Para o guitarrista do Aerosmith, o toque clássico de Jones dava ao Led uma classe que nenhuma outra banda de hard rock conseguia copiar. Era o equilíbrio perfeito entre a brutalidade da bateria de Bonham e a sofisticação dos arranjos de Page.
Seguindo os passos dos mestres
Joe Perry admite que o Aerosmith só teve coragem de sair da zona de conforto — criando épicos como “Janie’s Got a Gun” — porque o Led Zeppelin já tinha mostrado o caminho com faixas como “Kashmir”.
Enquanto muitas bandas tentavam ser teatrais como o Kiss, o Aerosmith queria a potência bruta. Eles sabiam que a linhagem do Zeppelin era intocável, e a única coisa que podiam fazer era surfar naquela mesma onda, tentando não cair da prancha diante de tamanha genialidade.
O veredito do viajante
Para quem viaja atrás dos grandes festivais ou busca as raízes do rock em Londres ou na Califórnia, a declaração de Perry é um lembrete: o rock and roll é uma árvore genealógica. O Aerosmith pode ser o fruto mais suculento e perigoso da América, mas a raiz mais profunda e técnica sempre estará plantada naquele solo britânico onde Page, Plant, Jones e Bonham decidiram que “bom” não era o suficiente — eles queriam ser deuses.
E você, concorda com o Joe Perry? Se fosse montar uma “seleção mundial” com um integrante de cada banda, quem seria o seu John Paul Jones? O Led Zeppelin é realmente imbatível ou o Aerosmith superou os mestres no quesito “atitude”? Comenta aí embaixo!

