Se o plano de Donald Trump era um domingo tranquilo assistindo ao esporte mais americano do mundo, Bad Bunny tinha outros planos. O intervalo do Super Bowl 60 não foi apenas uma apresentação musical; foi uma invasão cultural coordenada que transformou o campo do Levi’s Stadium em um pedaço de Porto Rico, com direito a “perreo”, salsa e uma aula de geografia que muita gente no Capitólio parece ter faltado.
Mas por que, afinal, um show com Lady Gaga e Ricky Martin fez o presidente dos EUA ir às redes sociais chamar tudo de “repugnante” e uma “afronta à grandeza da América”?
1. O Espanhol como Língua Dominante
Pela primeira vez na história, o maior palco da TV americana foi dominado quase inteiramente pelo espanhol. Bad Bunny não traduziu suas letras para agradar o público local. Pelo contrário: ele forçou os 234 milhões de espectadores a entenderem que o espanhol também é uma língua americana. A abertura com os dizeres “el espetáculo de medio tiempo del Súper Tazón” foi o primeiro sinal de que Benito não estava ali para pedir licença.
2. A “Casita” dos Invasores (Segundo a Direita)
Levar Pedro Pascal, Jessica Alba, Cardi B e Karol G para o palco não foi apenas um desfile de celebridades. Foi uma demonstração de força do “Soft Power” latino. Para a agenda anti-imigração de Trump, ver os rostos mais influentes da cultura atual — todos de ascendência latina — celebrando sua identidade em rede nacional é o maior símbolo do que eles chamam de “ameaça aos valores tradicionais”.
3. O Fantasma do Imperialismo com Ricky Martin
O momento mais tenso para os conservadores foi a participação de Ricky Martin. Ao cantar “Lo que le pasó a Hawaii”, Bad Bunny e Ricky tocaram em uma ferida histórica: como o imperialismo dos EUA destruiu a cultura havaiana. A mensagem foi clara: Porto Rico não quer ser o próximo “quintal” explorado sem identidade. Para Trump, que prega o “América Primeiro”, ouvir críticas ao expansionismo americano no intervalo do Super Bowl foi um insulto direto.
4. O “Apagão” e a Bandeira da Independência
Bad Bunny não usou a bandeira oficial de Porto Rico (com o triângulo azul escuro, igual à dos EUA). Ele usou a versão com o azul-claro, historicamente ligada aos movimentos pró-independência da ilha. Para finalizar, ele subiu em um poste e causou um apagão simbólico no estádio, lembrando a negligência do governo americano após o Furacão Maria em 2017. Foi um protesto visual de alto nível.
5. O Golpe de Misericórdia: O que é a “América”?
O que realmente deixou Trump “pistola” foi o final. Bad Bunny pegou a bola de futebol americano com a frase “Juntos, somos a América” e, enquanto o telão dizia que “a única coisa mais forte que o ódio é o amor”, ele enumerou todos os países do continente, do Chile aos Estados Unidos.
Ao dizer “Deus abençoe a América” e incluir o Brasil, a Argentina e a Colômbia no pacote, ele roubou o slogan patriótico dos EUA e o devolveu para o continente inteiro. Ele desconstruiu a ideia de que “América” é apenas um país.
O Veredito do Viajante
Para quem viaja pelo mundo e entende que a música é a maior fronteira que existe, o show de Bad Bunny foi uma vitória histórica. Em um momento de tensões migratórias e vídeos racistas circulando na Casa Branca, Benito Martínez provou que você pode até tentar construir muros, mas o ritmo e a cultura latina já pularam a cerca faz tempo.
Trump pode ter achado “repugnante”, mas o resto do mundo viu o nascimento de uma nova era: onde o Super Bowl fala espanhol e o “sonho americano” tem sotaque caribenho.
E você, achou que o Bad Bunny pegou pesado ou o Trump que está precisando de umas aulas de geografia? Qual foi o seu momento favorito dessa treta histórica? Comenta aqui embaixo!

