Jessie Buckley tem um sonho artístico bem específico — e, convenhamos, ousado. A atriz e cantora revelou que adoraria fazer um novo musical com trilha assinada pelo Radiohead, mas teme que a banda “seja cool demais” para topar a ideia.
A declaração foi dada em entrevista à Deadline, enquanto Buckley aguarda o resultado do Oscar do próximo mês, onde concorre ao prêmio de Melhor Atriz por sua atuação em Hamnet. Entre reflexões sobre a própria trajetória, ela deixou escapar esse desejo que mistura cinema, música e um certo grau de audácia britânica.
“Eu amo cantar”
Antes de se tornar uma das atrizes mais celebradas da sua geração, Buckley ganhou notoriedade ao participar do reality show musical da BBC I’d Do Anything. A música nunca deixou de ser parte central da sua identidade artística.
“Eu amo cantar”, afirmou. “O divertido é que, entre um trabalho e outro, eu vou para meu porão secreto e escrevo. Não tenho necessidade nenhuma além de me sentir livre ali.”
Ela já transitou entre pequenos clubes em Camden e o palco do West End com Cabaret, mas agora quer unir definitivamente suas duas paixões: música e cinema. E é aí que entra o Radiohead.
O som de Londres — versão Radiohead
Quando questionada sobre projetos hipotéticos dos sonhos, Buckley foi direta:
“Eu adoraria fazer um novo musical. Eu penso no som de Londres. E chamar o Radiohead para fazer a música. Mas eles são cool demais.”
A frase resume bem o dilema: como convencer uma das bandas mais reverenciadas e reservadas do planeta a embarcar em um musical cinematográfico?
O Radiohead encerrou sua turnê europeia no fim do ano passado, marcando a primeira atividade mais consistente da banda em cerca de sete anos. O último álbum de estúdio, A Moon Shaped Pool, saiu em 2016 — e desde então o grupo tem seguido caminhos paralelos, especialmente em trilhas sonoras.
Jonny Greenwood já está no clima de Oscar
Curiosamente, Buckley pode cruzar com um membro da banda muito em breve. O guitarrista Jonny Greenwood também está indicado ao Oscar deste ano na categoria Melhor Trilha Sonora Original por seu trabalho em One Battle After Another.
Greenwood, aliás, já construiu uma carreira sólida no cinema, com trilhas marcantes como a de Phantom Thread — projeto que recentemente voltou aos noticiários quando o músico solicitou que sua música fosse retirada de um documentário sobre Melania Trump.
Ou seja: se alguém do Radiohead tem histórico com o cinema e com o universo da premiação, é Greenwood.
Um musical Radiohead faria sentido?
A ideia de um musical com trilha original do Radiohead pode soar improvável à primeira vista — mas, pensando melhor, talvez não seja tão absurda assim.
A banda sempre flertou com atmosferas cinematográficas, narrativas fragmentadas e experimentações sonoras que já parecem trilhas de um filme que ainda não existe. Um musical menos tradicional, mais introspectivo, talvez mais urbano e sombrio, poderia combinar perfeitamente com o DNA artístico do grupo.
A grande questão é: o Radiohead toparia sair da própria órbita conceitual para embarcar num projeto encabeçado por uma atriz vencedora de prêmios, mas ainda assim outsider o suficiente para sonhar alto?
Por enquanto, tudo não passa de desejo. Mas no cinema — e na música — sonhos improváveis às vezes são exatamente os que mais fazem sentido.

