
Enquanto a indústria fonográfica gasta fortunas tentando fabricar o próximo hit do verão, o TikTok decidiu, sem pedir licença pra ninguém, ressuscitar uma faixa de 2011. “The One That Got Away”, de Katy Perry, foi coroada oficialmente pela plataforma como a Música do Verão 2026 no Hemisfério Norte — driblando lançamentos badalados de 2026 com a elegância de quem nem estava tentando.
Uma música de 2011 furando a fila dos hits de 2026
“The One That Got Away” faz parte de “Teenage Dream”, álbum de 2010/2011 que já era recordista de singles número 1 na Billboard Hot 100. Só que, até pouco tempo atrás, a faixa vivia à sombra de “Firework” e “California Gurls” no imaginário coletivo. O TikTok resolveu inverter essa lógica: em 2026, ela virou o som mais usado da temporada, superando concorrentes lançados há semanas com toda a máquina promocional de gravadora por trás.
Os números que comprovam o fenômeno
Os números explicam por que o “vintage” venceu o “novidade”: a faixa já foi usada em mais de 42 milhões de vídeos na plataforma, somando a marca estratosférica de 55 bilhões de visualizações. No Spotify, ultrapassou 1,8 bilhão de execuções e voltou a circular pela Billboard Global 200 por 21 semanas consecutivas — desempenho de lançamento recente, não de música com mais de uma década de estrada.
Por que essa faixa específica virou trend?
A fórmula por trás do fenômeno é bem menos misteriosa do que parece: o clima nostálgico e melancólico da canção, sobre um amor que ficou pelo caminho, encaixou perfeitamente no tipo de conteúdo que domina o TikTok atual — vídeos de narrativas pessoais, relembranças de relacionamentos passados e, claro, edições de cenas de séries e filmes que arrancam lágrima até de quem jura que não é sentimental. A combinação de melodia arrastada com refrão hipnotizante dá o timing perfeito para cortes emocionais de 15 a 30 segundos, que é basicamente a moeda corrente da plataforma.
Katy Perry entrou na brincadeira
Perry não ficou só assistindo de fora ao próprio catálogo bombar sem ela. A cantora interagiu com o trend nas redes e a faixa ganhou até um videoclipe especial, com narração de Stevie Nicks — uma escolha e tanto para reforçar o tom confessional e “clássico do rock” que a onda nostálgica pediu. É o tipo de jogada que transforma um acaso algorítmico em relançamento oficial de carreira, sem gastar um centavo com campanha de lançamento tradicional.
Katy Perry não é caso isolado — mas talvez seja o mais extremo
O TikTok já provou antes que sabe ressuscitar catálogo antigo: faixas de artistas como Fleetwood Mac, Kate Bush e até canções brasileiras esquecidas em playlists de tia já passaram pelo mesmo ciclo de “descoberta” por gerações que nem tinham nascido no lançamento original. A diferença é que, no caso de “The One That Got Away”, o salto é particularmente brutal: quinze anos de defasagem, um álbum (“Teenage Dream”) que já tinha esgotado seu ciclo comercial há mais de uma década, e uma artista que, convenhamos, vinha de um momento de carreira mais discreto nos últimos anos. Virar assunto de novo em 2026, batendo de frente com lançamentos recém-saídos do forno, é o tipo de resultado que nenhuma assessoria de imprensa consegue comprar — só o algoritmo entrega.
O que isso diz sobre nostalgia na era do streaming
O caso de “The One That Got Away” não é isolado, mas é um dos exemplos mais extremos de como o TikTok reorganizou completamente a lógica de “música do momento”. Cada vez mais, o hit do verão não nasce no estúdio: nasce na hashtag. E para artistas com catálogo robusto — caso de Katy Perry —, isso significa que o próximo grande sucesso pode já estar lançado há 15 anos, só esperando o algoritmo certo bater à porta.
Aviso de direitos autorais: este texto não reproduz trechos da letra de “The One That Got Away” — a análise é baseada em paráfrase e contexto, conforme a Lei 9.610/98.
Para quem gosta de acompanhar como faixas antigas voltam a bombar por vias inusitadas, vale conferir também o caso do hit viral que confundiu a internet ao imitar um feat de Luísa Sonza e Dilsinho.
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA) — crédito na legenda da imagem.

