Se existe uma banda no Rock in Rio 2026 com potencial para entrar no palco como coadjuvante e sair deixando metade do público procurando sua discografia no caminho de casa, é o The Hives.
Os suecos tocam no Palco Mundo no dia 4 de setembro, mesma data do Foo Fighters, e chegam ao festival com uma vantagem importante: poucas bandas de rock entenderam tão bem que um show não precisa ser apenas uma sequência de músicas. Pode ser também teatro, provocação, arrogância calculada e um vocalista agindo como se tivesse sido informado cinco minutos antes de subir ao palco que aquela multidão inteira comprou ingresso exclusivamente para vê-lo.
Esse homem é Howlin’ Pelle Almqvist.
E tentar prever o setlist do The Hives no Rock in Rio é consideravelmente mais fácil do que fazer o mesmo exercício com bandas que possuem três décadas de catálogo e mudam várias músicas todas as noites.
Os números dos shows realizados em 2026 mostram um repertório bastante consolidado. Nada menos que oito músicas apareceram em todas as 36 apresentações registradas da banda no ano.
Portanto, algumas apostas estão praticamente garantidas.
Oito músicas aparecem em todos os shows de 2026
Se você quer estudar para a prova antes de entrar na Cidade do Rock, comece por estas:
“Bogus Operandi”
“Come On!”
“Countdown to Shutdown”
“Enough Is Enough”
“Hate to Say I Told You So”
“Paint a Picture”
“The Hives Forever Forever The Hives”
“Tick Tick Boom”
Todas apareceram nas 36 apresentações contabilizadas em 2026.
É um índice de 100%.
“Legalize Living” vem imediatamente atrás, tendo aparecido 35 vezes.
Na prática, portanto, existe um esqueleto bastante previsível para o show.
A questão interessante não é exatamente descobrir quais músicas estarão presentes. É entender como o The Hives vai condensar seu espetáculo para o tempo disponível no Rock in Rio.
Porque estamos falando de uma banda cuja maior especialidade é transformar três minutos de música em cinco minutos de espetáculo.
“Hate to Say I Told You So” é obrigatória
Existe The Hives antes e depois de “Hate to Say I Told You So”.
Lançada em Veni Vidi Vicious, de 2000, a música ajudou a transformar os suecos em personagens importantes da explosão do chamado garage rock revival no início dos anos 2000.
Mais de duas décadas depois, continua sendo provavelmente a música que provoca reconhecimento mais imediato entre quem não acompanha profundamente a banda.
Aquele riff é praticamente um documento histórico da época em que The Hives, The Strokes, The White Stripes e companhia fizeram uma geração acreditar novamente que quatro acordes, jaquetas combinando e guitarras poderiam resolver vários problemas da humanidade.
Não resolveram.
Mas renderam discos excelentes.
Em 2026, “Hate to Say I Told You So” apareceu em absolutamente todos os shows registrados do grupo.
No Rock in Rio, sua ausência seria quase inconcebível.
“Tick Tick Boom” tem tudo para ser um dos grandes momentos
Outra barbada é “Tick Tick Boom”.
A faixa de The Black and White Album também esteve presente nas 36 apresentações do ano e possui exatamente aquilo que uma música precisa para funcionar diante de uma multidão gigantesca: refrão simples, riff direto e oportunidades suficientes para Pelle comandar o público.
E existe uma regra básica para assistir ao The Hives:
Pelle manda.
Você obedece.
Se ele pedir para abaixar, você abaixa.
Se pedir para pular, você pula.
Se disser que o The Hives é a maior banda da história do rock, você pode até discordar internamente, mas talvez seja mais seguro concordar naquele momento.
A confiança absurda faz parte do espetáculo.
O disco mais recente ocupa bastante espaço
Quem estiver esperando apenas uma sessão nostalgia dos anos 2000 pode ajustar as expectativas.
O repertório de 2026 possui presença forte das músicas mais recentes.
“Enough Is Enough”, “Paint a Picture” e “The Hives Forever Forever The Hives” aparecem em todos os shows registrados no ano.
“Legalize Living” ficou de fora de apenas uma apresentação.
“Born a Rebel” também possui presença significativa, com 20 execuções.
“Hooray Hooray Hooray”, “O.C.D.O.D.” e “Stick Up” apareceram 14 vezes cada.
Ou seja: o The Hives não está interessado em funcionar como banda cover de si mesmo.
Os clássicos continuam sendo fundamentais, mas dividem espaço com a produção atual.
E isso pode ser uma vantagem enorme no Rock in Rio.
Enquanto várias bandas veteranas precisam atravessar aquele momento complicado do show em que anunciam “agora vamos tocar uma música nova” e metade da plateia decide aproveitar para comprar cerveja, o The Hives construiu um repertório recente perfeitamente compatível com sua personalidade ao vivo.
Não existe uma ruptura gigantesca entre o The Hives de 2000 e o atual.
A roupa continua elegante.
As guitarras continuam barulhentas.
Pelle continua convencido de que é Freddie Mercury, Mick Jagger e James Brown ocupando simultaneamente o mesmo corpo sueco.
Está tudo em ordem.
“Walk Idiot Walk” também tem grandes chances
Se existem oito músicas praticamente certas, “Walk Idiot Walk” está imediatamente abaixo delas.
A faixa apareceu em 32 dos 36 shows realizados em 2026.
É outra sobrevivente importante da fase clássica da banda e uma das músicas que melhor funciona em festival.
Curta, agressiva e imediatamente reconhecível.
O mesmo acontece com “Main Offender”, tocada 30 vezes.
As duas representam justamente o tipo de material que provavelmente será preservado mesmo caso o Rock in Rio ofereça ao grupo um tempo menor do que suas apresentações próprias.
Quando é necessário cortar repertório, bandas normalmente sacrificam as músicas intermediárias.
Os mísseis ficam.
“Walk Idiot Walk” e “Main Offender” são mísseis.
“Rigor Mortis Radio” continua viva
O excelente The Death of Randy Fitzsimmons, lançado em 2023 depois de mais de uma década sem disco de inéditas, também continua representado.
“Bogus Operandi” é praticamente obrigatória e apareceu em todas as apresentações do ano.
“Countdown to Shutdown” também possui 100% de presença.
Já “Rigor Mortis Radio” apareceu 24 vezes.
As três músicas provaram algo importante quando o grupo voltou aos discos: The Hives encontrou uma maneira de envelhecer sem parecer uma empresa tentando reproduzir artificialmente aquilo que fazia quando tinha 25 anos.
Eles simplesmente continuaram sendo The Hives.
Pode parecer uma tarefa simples.
Pergunte para algumas bandas dos anos 2000 e descobrirá que não é.
Quais músicas podem ficar de fora?
É aqui que a previsão fica mais interessante.
Algumas músicas apareceram bastante durante 2026, mas não possuem números suficientes para serem consideradas garantidas.
“Born a Rebel” soma 20 apresentações.
“Hooray Hooray Hooray”, “O.C.D.O.D.” e “Stick Up” possuem 14 cada.
“Bigger Hole to Fill” e “Roll Out the Red Carpet” apareceram 11 vezes.
Já “I’m Alive” foi executada somente seis vezes.
Se o tempo do Rock in Rio obrigar a banda a trabalhar com algo próximo de uma hora, é nessa região do repertório que provavelmente acontecerão os cortes.
E alguma raridade?
Aqui as chances diminuem bastante.
“Here We Go Again” apareceu apenas uma vez em 2026.
O mesmo aconteceu com “Two-Timing Touch and Broken Bones”, faixa que certamente deixaria os fãs mais antigos felizes.
“Smoke & Mirrors” apareceu somente duas vezes.
São músicas possíveis?
Claro.
Prováveis?
Não.
Festival normalmente não é território para arqueologia musical, especialmente quando você está diante de milhares de pessoas esperando os sucessos antes do Foo Fighters.
Mas o The Hives também não construiu sua reputação fazendo exatamente aquilo que se espera deles.
Nosso possível setlist do The Hives no Rock in Rio 2026
Considerando as músicas mais executadas pela banda durante 2026 e imaginando um repertório compacto para festival, nossa aposta seria algo próximo disso:
- Enough Is Enough
- Main Offender
- Walk Idiot Walk
- Rigor Mortis Radio
- Paint a Picture
- Bogus Operandi
- Hate to Say I Told You So
- Legalize Living
- Countdown to Shutdown
- Come On!
- The Hives Forever Forever The Hives
- Tick Tick Boom
Dependendo do tempo disponível, “Born a Rebel”, “Hooray Hooray Hooray”, “O.C.D.O.D.”, “Stick Up” ou alguma surpresa do catálogo podem completar o repertório.
É importante reforçar: esse não é o setlist oficial do Rock in Rio. É uma previsão baseada principalmente na frequência das músicas apresentadas pelo The Hives durante 2026.
Pode ser um dos shows mais divertidos do dia
Foo Fighters obviamente será o gigante da noite.
Mas existe uma tradição silenciosa nos grandes festivais: aquela banda escalada imediatamente antes ou perto do headliner que resolve tratar seus 60 minutos como se estivesse disputando uma final de Copa do Mundo.
The Hives possui exatamente esse perfil.
E não seria nenhuma novidade.
A banda construiu boa parte de sua reputação internacional justamente na estrada. Pelle conversa, provoca, grita, corre, pula, exige participação e utiliza cada centímetro disponível do palco.
Existe algo deliciosamente anacrônico nisso.
Enquanto grandes espetáculos atuais dependem de telões monumentais, efeitos especiais, pulseiras luminosas, estruturas gigantescas e uma quantidade de tecnologia suficiente para lançar um foguete, o principal efeito especial do The Hives continua sendo um sueco magro berrando que sua banda é melhor do que todas as outras.
E funciona.
O Rock in Rio oferece justamente o cenário perfeito para essa megalomania.
Milhares de pessoas.
Palco gigantesco.
Uma das maiores bandas de rock do planeta tocando depois.
E aproximadamente uma hora para o The Hives tentar convencer todo mundo de que o verdadeiro headliner deveria ser eles.
Conhecendo Pelle Almqvist, provavelmente ele já está convencido disso.

