Phil Collins surpreende com atualização positiva e admite que estuda voltar aos palcos

O gênero musical que Phil Collins definiu como a verdadeira trilha sonora de sua vida

Se você olhar para a carreira de Phil Collins, o que encontra é um enigma fascinante. Como o mesmo homem que revolucionou as baquetas no rock progressivo instrumental e complexo do Genesis se transformou, anos de forma subsequente, no criador de baladas pop radiofônicas e hinos atemporais como “Another Day in Paradise”? À primeira vista, essa transição parece não fazer sentido.

A verdade é que Collins nunca quis ficar preso a uma única caixa. Enquanto seus contemporâneos miravam o bom e velho rock ‘n’ roll tradicional de guitarras distorcidas, os olhos — e os ouvidos — de Phil estavam voltados para outra direção.

Nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, analisamos o desabafo do músico ao jornalista Tim Coffman sobre o verdadeiro gênero que corre em suas veias e moldou seu DNA musical: a Soul music e a era de ouro da Motown. A cobertura completa você confere no musicaviajante.com.br.

O Garoto da Motown disfarçado de Gigante do Prog

Para o público geral, o nome de Phil Collins evoca imagens de arenas lotadas nos anos 80 ou as composições marcantes para as animações da Disney. Para os puristas, ele é o arquiteto do som de bateria dos anos 70. Mas, para o próprio Phil, sua essência sempre esteve ligada ao ritmo, ao groove e à capacidade de fazer as pessoas dançarem de forma natural.

Diferente de outros garotos britânicos de sua geração, Collins não se conectou de imediato com a rebeldia de Elvis Presley ou os riffs de Chuck Berry. O que realmente o capturou foi o som que vinha de Detroit.

“Esta é a música com a qual eu praticamente vivi a minha vida”, revelou Collins, apontando a Motown como sua maior paixão. “Eu sei que parece estranho agora porque, quarenta anos depois, fiquei conhecido por tocar com o Genesis, o que parece estar a um milhão de milhas de distância dessas coisas.”

A descoberta através dos Beatles e o tempero em “Easy Lover”

Essa introdução ao universo do Soul aconteceu de maneira curiosa, quando Phil tinha entre 12 e 13 anos. Ao ouvir os dois primeiros álbuns dos Beatles, ele percebeu que a banda de Liverpool estava regravando clássicos da Motown e do Soul americano. Encantado com aquelas versões, Collins foi atrás das fontes originais e passou a internalizar cada linha de baixo, cada batida e cada arranjo de metais.

Essa influência oculta explica muitos dos seus passos na carreira solo. Quando o mundo estranhou vê-lo ao lado de Philip Bailey (vocalista do Earth, Wind & Fire) no clipe de “Easy Lover”, ou quando ele colocou o mundo para dançar com seu cover respeitável de “You Can’t Hurry Love”, das Supremes, Phil não estava experimentando algo novo. Ele estava apenas trazendo à tona o que já fazia parte de sua formação.

O groove do Soul já estava lá muito antes de ele pensar em compassos quebrados de rock progressivo. Estava presente na fundação de álbuns de enorme sucesso comercial como No Jacket Required.

O retorno às origens com “Going Back”

Essa jornada de amor à música negra americana teve seu ápice definitivo em 2010, com o lançamento do álbum Going Back. O projeto não foi um desvio radical na carreira do cantor, mas sim o fechamento de um ciclo. Ao registrar suas versões para os clássicos que o formaram e, acima de tudo, ao unir forças no estúdio com os The Funk Brothers (a lendária banda de apoio que gravou a maioria dos hits da Motown), Phil Collins carimbou seu passaporte de volta para casa.

Até hoje, Collins defende que, não importa quão complexas fossem as canções do Genesis, seu coração sempre bateu no ritmo síncope e elegante do Soul.

O Veredito do Viajante Musical

Para quem viaja explorando as capitais da música, ir a Detroit e visitar o museu Hitsville U.S.A. é entender perfeitamente o som que Phil Collins tentou emular em sua carreira solo. Ele pode ter nascido em Londres e liderado o maior grupo de prog rock do Reino Unido, mas seu espírito rítmico pertencia às pistas de dança americanas dos anos 60.

Saber disso faz com que clássicos como o icônico preenchimento de bateria de “In the Air Tonight” ganhem uma nova perspectiva: não é apenas rock; é o peso e o drama do Soul aplicados à era dos sintetizadores.

E você, já tinha reparado no tempero de Soul music que o Phil Collins colocava nas músicas dele ou sempre o viu apenas como um artista Pop/Rock? Qual cover dele você acha mais marcante? Comenta aqui embaixo e vamos colocar esse groove para rodar!