Billy Gibbons, guitarrista do ZZ Top, tocando ao vivo

ZZ Top Volta aos Palcos Após a Morte de Frank Beard — e o Show no Brasil Segue de Pé

Toda banda que atravessa cinco décadas de estrada sabe que, mais cedo ou mais tarde, vai precisar aprender a tocar com um coração a menos. Na noite de sábado (22), o ZZ Top viveu esse momento: o primeiro show desde a morte do baterista fundador Frank Beard, aos 77 anos, ocorrida na semana anterior. O palco escolhido não foi aleatório — e o resultado foi, segundo quem estava lá, uma das apresentações mais emocionantes da carreira do trio texano.

O que aconteceu no show em Austin

O ZZ Top subiu ao palco do Moody Theater, em Austin, no Texas — cidade que, segundo o próprio Billy Gibbons, funcionava como uma espécie de segunda casa para Frank Beard. A banda havia cancelado apenas dois compromissos, em Salt Lake City e Colorado Springs, logo após a notícia da morte do baterista, mas optou por retomar a agenda naquele fim de semana, justamente em um dos palcos favoritos de Beard.

Em comunicado oficial, o grupo resumiu a decisão: “depois da partida de Frank, o ZZ Top cancelou os próximos shows em Salt Lake City e Colorado Springs. A banda vai retomar a turnê atual.” Ou seja: parar, sim — mas por pouco tempo, e do jeito que o próprio baterista, conhecido pelo bom humor mesmo nos bastidores mais difíceis, provavelmente aprovaria.

A homenagem de Billy Gibbons

Foi Billy Gibbons quem conduziu o momento mais emocionante da noite, ao apresentar Michael Monahan — baterista que já vinha substituindo Beard em shows recentes por questões de saúde e que agora assume oficialmente o posto. Gibbons contou que o próprio Frank já brincava sobre a ideia de Monahan “tomar seu lugar”, e deixou claro que o show em Austin foi pensado para “homenagear o colega de banda com o tipo de energia que o Frank gostaria”.

Mais do que um show de luto, a apresentação foi tratada pela banda como uma celebração: mais de cinco décadas de groove texano, sotaque blueseiro e aquele visual inconfundível de barbas quilométricas que Frank Beard — ironicamente o único integrante do ZZ Top sem barba — ajudou a tornar lendário.

Quem é Michael Monahan, o novo baterista

Monahan não chega como um estranho no ninho: ele já dividia a baqueta com Beard em datas específicas da turnê atual, quando o problema de saúde do fundador o impedia de se apresentar. Com a passagem de Beard, o músico assume oficialmente a cadeira e se torna o novo responsável por manter viva a batida que sustenta clássicos como “La Grange” e “Sharp Dressed Man”.

E o show no Brasil, como fica?

Para o público brasileiro, a pergunta mais óbvia é: e a turnê por aqui? Segundo a própria organização, as datas confirmadas em novembro — passando por Porto Alegre, Curitiba e São Paulo — seguem mantidas, com Michael Monahan na bateria. Ou seja: quem já garantiu ingresso não precisa se preocupar em rever os planos, apenas ajustar as expectativas para uma formação diferente daquela que consagrou o trio original.

É um roteiro que o rock clássico já conhece bem — bandas veteranas que perdem peças fundamentais, mas escolhem seguir em frente como forma de honrar a própria história. O Foo Fighters, aliás, vive um momento parecido em sua própria trajetória e também tem encontro marcado com o Brasil: a banda de Dave Grohl desembarca em Belo Horizonte e São Paulo em fevereiro de 2027, também na esteira de uma turnê marcada por reinvenções.

Uma lenda que nunca parou

Formado em 1969, o ZZ Top é uma das poucas bandas de rock a manter a mesma formação por mais de 50 anos consecutivos — recorde que agora chega ao fim, mas não interrompe a estrada. Assim como outros ícones que insistem em provar que idade é só um número quando o assunto é subir num palco, como mostra a resiliência de Brandon Flowers e o The Killers, o ZZ Top decidiu que a melhor forma de lembrar Frank Beard é continuar fazendo o que ele mais amava: tocar.

Billy Gibbons, guitarrista do ZZ Top, tocando ao vivo
Billy Gibbons, do ZZ Top, em show em San Antonio, Texas. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)