barão vermelho bh setembro 2026

Review Barão Vermelho @ Arena Hall, Belo Horizonte — 26 e 27 de setembro de 2026

Meus bons amigos, prestem atenção.

Tive a oportunidade de me descobrir apaixonado pela obra do Barão Vermelho durante um show em BH, no distante ano de 2013. Ao longo desses 13 anos, sempre me pegava ouvindo a banda. Titãs e Paralamas não estavam mais sozinhas nas playlists. Mas o Barão tem um negócio diferente. É um tal de sentimento rock clássico, sabe? Aquela coisa mais suja, mais visceral. Apaixonante, como disse.

Em mais um capítulo da turnê Encontro, projeto criado pela produtora 30e e iniciado em 2023 com o Titãs, o Barão reuniu sua formação original com Guto Goffi, Dé Palmeira, Maurício Barros e Roberto Frejat para uma verdadeira festa recheada de clássicos — e o público é o convidado VIP. Depois de rodar algumas das capitais brasileiras, chegou a vez de BH receber duas noites quentes com apresentações de mais de 2h.

O público formado principalmente por homens quarentões, repetiu o mesmo fenômeno cíclico que faz parte do entretenimento. Avô que apresenta uma banda para o filho, que por sua vez, passa para o neto. E numa perspectiva mais pessimista, apesar das famílias presentes, são em eventos assim que fica a certeza do rock não ter conseguido se renovar e se tornou reduto de tiozões com opiniões e pensamentos bem diferentes do estilo progressista que o rock já teve.

A própria banda, de forma descontraída, parece saber disso muito bem. Quando Goffi apresenta a banda, ele fala “na direita temos…”, e depois diz “na esquerda temos”. É quase um aceno para apaziguar as emoções — principalmente na véspera das eleições. Poderíamos discutir a falta de manifestações diretas, mas a verdade é que atualmente é uma questão de responsabilidade e cuidado não ser direto. Afinal, os ânimos exaltados podem causar conflitos. E nas duas noites não havia espaço para desentendimentos.

Abrindo com uma sequência de trechos da história mundial com os primeiros passos da banda, o Barão iniciou o show com “Maior Abandonado”, clássico do primeiro disco. Na sequência “Pedra, Flor e Espinho” e “Pense Dance” para fazer jus ao pensamento de show de rock bom tem o som alto como pré-requisito. Sempre bom quando você está em um show ensurdecedor e isso obriga as pessoas a calarem a boca. “Bete Balanço”, com a linha de baixo clássica trocando os slaps pela paletada, foi um convite para a dança.

As interações, cronometricamente combinadas, seguiram praticamente o mesmo roteiro nas duas noites. Em certo momento, Frejat brincou com o tempo que a banda ficou sem tocar “Eu Queria ter uma Bomba” por causa de um trauma. Barros completou as apresentações da banda, chamando os outros artistas no palco, como o sempre incrível Fernando Magalhães, que entrou na banda logo após a saída de Cazuza na década de 1980.

O repertório incluiu homenagens diversas. Além de Cazuza, a banda tocou “Tente Outra Vez” (Raul Seixas), “Amor, Meu Grande Amor” (Angela Ro ro), “Vem Quente que eu Estou Fervendo” (Carlos Imperial e Eduardo Araújo, mas imortalizada na voz de Erasmo Carlos), “Malandragem dá um Tempo” (Bezerra da Silva) e “Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto” (Legião Urbana).

Foram duas noites sem grandes mudanças no repertório ou script, mas que garantem mais um daqueles momentos históricos em que a gente sabe que viveu para presenciar algo especial. Ou mesmo, para relembrar o motivo do Barão ser uma banda tão incrível.

Como bem pontuou o John Pereira no portal Audiograma, depois dessa tour, realmente não será nada fácil substituir o Roberto Frejat como front man do Barão Vermelho. Simplesmente porque química é algo que está além de qualquer técnica e talento. E esses quatro caras têm química de sobra para garantir essa banda como uma das maiores do nosso rock nacional.