
Vinte anos depois de “B’Day” colocar Beyoncé no mapa como força solo indiscutível, a cantora decidiu que o álbum merecia mais do que uma simples reedição remasterizada. Ela trouxe de volta duas lendas que não estão mais entre nós — Selena Quintanilla e Celia Cruz — para dividir faixa com ela, num relançamento que já está sendo tratado como um dos eventos pop mais comentados do ano.
O que muda no relançamento
A edição de 20º aniversário de “B’Day” traz versões remasterizadas do disco original de 2006, além de faixas novas em espanhol e colaborações inéditas. O grande destaque fica por conta de duas parcerias que atravessam gerações e fronteiras: uma com Selena Quintanilla e outra com Maluma, homenageando Celia Cruz.
“Irreemplazable”: a fusão mais emocionante do projeto
A faixa “Irreemplazable (Como La Flor) feat. Selena” pega a versão em espanhol que Beyoncé já tinha gravado de “Irreplaceable” e a funde com a melodia de “Como La Flor”, clássico de Selena dos anos 1990. No meio da faixa, a música muda de rumo e traz a própria Selena cantando os versos originais de “Como La Flor”, antes de voltar ao gancho de Beyoncé. É colagem, é homenagem, e é também uma prova de como a indústria fonográfica hoje consegue reunir, digitalmente, vozes de épocas diferentes numa mesma faixa.
“Cuerpo (Tumbao)”: Maluma e a homenagem a Celia Cruz
Já “Cuerpo (Tumbao)”, parceria bilíngue com o colombiano Maluma, incorpora samples do clássico “La Negra Tiene Tumbao”, de Celia Cruz, rainha da salsa. A produção contou com Beyoncé, o compositor Edgar Barrera e a dupla CASTA — nome de peso na cena latina atual —, resultando numa faixa que passeia entre o pop americano e a tradição afro-caribenha sem perder o tempero.
Por que Beyoncé tem essa ligação com Selena
A homenagem não é gratuita. Beyoncé já declarou públicas admiração por Selena Quintanilla há anos — foi essa influência, aliás, que a levou a lançar o EP em espanhol “Irreemplazable”, em 2007, logo depois do “B’Day” original. O relançamento também recupera outras parcerias latinas do período, como “Amor Gitano”, com Alejandro Fernández, e “Beautiful Liar”, com Shakira, reforçando que essa ponte entre Beyoncé e a música latina vem de longa data — não é apropriação de última hora para viralizar no TikTok.
O contexto histórico de “B’Day”
Lançado originalmente em 2006, “B’Day” marcou a transição definitiva de Beyoncé do Destiny’s Child para a carreira solo blindada que conhecemos hoje, emplacando hits como “Déjà Vu” e “Irreplaceable”. Duas décadas depois, o disco que ajudou a construir a Queen Bey ganha uma camada extra de significado: a de reunir, ainda que digitalmente, vozes que moldaram a música latina e que Beyoncé sempre fez questão de citar como referência — assim como fez ao longo da carreira ao dividir créditos com nomes como Ne-Yo, compositor por trás de vários de seus hits.
Este texto não reproduz letras de música na íntegra, conforme a Lei 9.610/98 — apenas cita trechos e títulos para fins de contextualização jornalística.

