Poucas brigas na história do rock foram tão barulhentas quanto a do Metallica contra o Napster. A banda que construiu a reputação em cima de peso, rebeldia e desprezo pelo sistema acabou sendo chamada de ganancioso por uma geração inteira de fãs. Mas por que o Metallica processou o Napster, e quem tinha razão?

O vazamento que começou tudo
Segundo a Kerrang!, tudo começou quando o co-empresário da banda avisou que versões ainda não finalizadas de “I Disappear”, música feita para a trilha de Missão: Impossível 2, tinham vazado e estavam tocando em cerca de 20 rádios americanas. O rastro levou ao Napster. Em 13 de abril de 2000, o Metallica entrou com o processo, alegando que o serviço nunca perguntou aos artistas se eles queriam participar do negócio.
A lista de usuários e a revolta dos fãs
O golpe que azedou tudo foi outro: a banda entregou ao Napster uma lista com mais de 300 mil usuários que teriam acessado suas músicas, e o serviço bloqueou essas contas. Para muita gente, era a banda atacando os próprios fãs. Em 2001, Lars Ulrich foi ao Senado dos Estados Unidos defender que, embora o Metallica vivesse bem, a maioria dos artistas mal ganhava o suficiente e precisava de cada fonte de renda.
O impacto na imagem foi imediato. A banda perdeu parte do verniz de rebeldia, e outros nomes entraram na briga: o Mötley Crüe lançou a animação “Metalligreed” para zombar do Metallica, enquanto artistas como Public Enemy, Courtney Love e The Offspring defenderam o Napster.
https://www.youtube.com/watch?v=tAGnKpE4NCI
Para lembrar por que o público gostava tanto da banda antes da polêmica, o clipe oficial de “Nothing Else Matters” está acima.
O fim da história: acordo e falência
Em julho de 2001, o Napster fez acordo com o Metallica e com Dr. Dre, que também havia processado o serviço. Na mesma época, o Napster encerrou a versão gratuita de troca de arquivos e, em 2002, pediu falência. A guerra foi vencida, mas a imagem da banda saiu arranhada por muitos anos.
Quem tinha razão? A opinião que vai dar briga
Minha tese: o Metallica tinha razão no princípio e errou feio no jeito. Cobrar o Napster por distribuir música sem autorização era legítimo, e a história provou que alguém precisava impor regras. Mas transformar a lista de usuários em arma, e fazer isso com uma banda que vivia de ser “do povo”, foi um tiro no pé de marketing.
E tem um segundo ponto incômodo: o streaming que a gente usa hoje é, em boa parte, o Napster com contrato assinado. O Metallica perdeu a simpatia, mas ganhou a discussão histórica. Dá para odiar a postura e, ao mesmo tempo, reconhecer que a briga ajudou a empurrar a indústria para um modelo pago.
Mais histórias do Metallica
Se você gosta dos bastidores da banda, leia também a história de “One”, inspirada no livro Johnny Got His Gun e a história de “Nothing Else Matters”.
E você: o Metallica estava certo em processar o Napster ou virou vilão com razão? Responde nos comentários, mas argumenta.

