Metallica se apresentando ao vivo em Londres em 2003

Metallica vs. Napster: por que a banda processou o Napster

Poucas brigas na história do rock foram tão barulhentas quanto a do Metallica contra o Napster. A banda que construiu a reputação em cima de peso, rebeldia e desprezo pelo sistema acabou sendo chamada de ganancioso por uma geração inteira de fãs. Mas por que o Metallica processou o Napster, e quem tinha razão?

Metallica se apresentando ao vivo em Londres em 2003
Foto: Wikimedia Commons (licença livre; autoria conforme a página do arquivo)

O vazamento que começou tudo

Segundo a Kerrang!, tudo começou quando o co-empresário da banda avisou que versões ainda não finalizadas de “I Disappear”, música feita para a trilha de Missão: Impossível 2, tinham vazado e estavam tocando em cerca de 20 rádios americanas. O rastro levou ao Napster. Em 13 de abril de 2000, o Metallica entrou com o processo, alegando que o serviço nunca perguntou aos artistas se eles queriam participar do negócio.

A lista de usuários e a revolta dos fãs

O golpe que azedou tudo foi outro: a banda entregou ao Napster uma lista com mais de 300 mil usuários que teriam acessado suas músicas, e o serviço bloqueou essas contas. Para muita gente, era a banda atacando os próprios fãs. Em 2001, Lars Ulrich foi ao Senado dos Estados Unidos defender que, embora o Metallica vivesse bem, a maioria dos artistas mal ganhava o suficiente e precisava de cada fonte de renda.

O impacto na imagem foi imediato. A banda perdeu parte do verniz de rebeldia, e outros nomes entraram na briga: o Mötley Crüe lançou a animação “Metalligreed” para zombar do Metallica, enquanto artistas como Public Enemy, Courtney Love e The Offspring defenderam o Napster.

https://www.youtube.com/watch?v=tAGnKpE4NCI

Para lembrar por que o público gostava tanto da banda antes da polêmica, o clipe oficial de “Nothing Else Matters” está acima.

O fim da história: acordo e falência

Em julho de 2001, o Napster fez acordo com o Metallica e com Dr. Dre, que também havia processado o serviço. Na mesma época, o Napster encerrou a versão gratuita de troca de arquivos e, em 2002, pediu falência. A guerra foi vencida, mas a imagem da banda saiu arranhada por muitos anos.

Quem tinha razão? A opinião que vai dar briga

Minha tese: o Metallica tinha razão no princípio e errou feio no jeito. Cobrar o Napster por distribuir música sem autorização era legítimo, e a história provou que alguém precisava impor regras. Mas transformar a lista de usuários em arma, e fazer isso com uma banda que vivia de ser “do povo”, foi um tiro no pé de marketing.

E tem um segundo ponto incômodo: o streaming que a gente usa hoje é, em boa parte, o Napster com contrato assinado. O Metallica perdeu a simpatia, mas ganhou a discussão histórica. Dá para odiar a postura e, ao mesmo tempo, reconhecer que a briga ajudou a empurrar a indústria para um modelo pago.

Mais histórias do Metallica

Se você gosta dos bastidores da banda, leia também a história de “One”, inspirada no livro Johnny Got His Gun e a história de “Nothing Else Matters”.

E você: o Metallica estava certo em processar o Napster ou virou vilão com razão? Responde nos comentários, mas argumenta.