Em Belo Horizonte, poucas casas de shows mudaram tanto de nome quanto a atual Arena Hall. Quem frequenta apresentações há mais de vinte anos provavelmente já marcou encontros no Chevrolet Hall, comprou ingresso para o Km de Vantagens Hall, assistiu a shows no BeFly Hall e, agora, terá que reaprender o caminho — ou melhor, apenas o nome.
Após o encerramento do contrato de naming rights com a BeFly, o espaço voltou oficialmente a se chamar Arena Hall, encerrando mais um capítulo da longa sequência de mudanças de identidade de uma das principais casas de espetáculos da capital mineira.
A boa notícia para quem já tem ingresso comprado é simples: muda o nome, mas o palco continua exatamente no mesmo lugar.
O fim da parceria com a BeFly
A mudança acontece após o término do acordo entre a administradora da casa e a BeFly, empresa do setor de turismo e tecnologia que batizou o espaço desde 2024. A mesma alteração aconteceu com o Minascentro, que também deixou de utilizar a marca BeFly e retomou sua identidade original.
Até o momento, nem a empresa nem a administração dos espaços divulgaram oficialmente o motivo do encerramento da parceria. Segundo os responsáveis, a alteração é apenas comercial e não interfere na programação, nos eventos já anunciados, nos contratos firmados nem na operação da casa.
Ou seja: quem comprou ingresso para um show no BeFly Hall vai assistir ao mesmo evento, apenas em um lugar que voltou a atender pelo antigo nome.
A casa que coleciona nomes
Quem acompanha a cena musical de Belo Horizonte sabe que a história da Arena Hall é praticamente uma linha do tempo dos naming rights no Brasil.
O espaço passou por diversas identidades ao longo de sua existência, acompanhando patrocinadores diferentes e estratégias de mercado que mudaram conforme os anos.
A trajetória inclui:
- Marista Hall (2003–2005)
- Skol Hall
- Chevrolet Hall (2005–2016)
- BH Hall (2016–2017)
- Km de Vantagens Hall (2017–2023)
- Arena Hall (2023–2024)
- BeFly Hall (2024–2026)
- Arena Hall (desde julho de 2026)
É uma sequência tão extensa que muita gente ainda chama a casa de Chevrolet Hall até hoje. Outros preferem simplesmente dizer “a casa da Nossa Senhora do Carmo”, eliminando qualquer risco de usar o nome errado.
Muito mais importante que o nome
Independentemente da fachada, a Arena Hall continua ocupando um papel fundamental na cena cultural de Belo Horizonte.
Durante mais de duas décadas, o espaço recebeu artistas nacionais e internacionais dos mais diversos estilos. Do rock ao sertanejo, passando pelo pop, MPB, metal, rap, pagode, humor e eventos corporativos, poucas casas da cidade possuem uma programação tão diversa.
Para muitos fãs de música, a história do local também se mistura com memórias pessoais.
Foi ali que muita gente viu seu primeiro grande show internacional. Outros conheceram bandas favoritas, comemoraram aniversários, enfrentaram filas quilométricas por ingressos ou descobriram novos artistas em festivais.
No fim das contas, os nomes mudam, mas as lembranças permanecem exatamente onde sempre estiveram.
Afinal, o que são naming rights?
O caso da Arena Hall é um exemplo clássico do modelo conhecido como naming rights, prática cada vez mais comum no Brasil.
Nesse formato, uma empresa paga para associar sua marca ao nome de arenas, estádios, centros de convenções ou casas de espetáculo durante um período determinado. Em troca, ganha exposição constante, enquanto o espaço recebe recursos financeiros que ajudam na operação, manutenção ou expansão de suas atividades.
Nos últimos anos, esse tipo de acordo se tornou bastante comum no mercado brasileiro.
Em Belo Horizonte, por exemplo, equipamentos culturais e esportivos também utilizam esse modelo comercial, ainda que, em alguns casos, o público continue chamando os locais pelos nomes antigos ou populares.
É um fenômeno curioso: os contratos podem mudar a identidade visual das fachadas, mas dificilmente conseguem apagar a memória afetiva das pessoas.
O nome muda, o palco continua
Se existe uma conclusão nessa nova mudança, talvez seja justamente essa.
Pouca gente escolhe um show pelo nome da casa. O que leva milhares de pessoas até a avenida Nossa Senhora do Carmo continua sendo exatamente o mesmo de sempre: a música.
A Arena Hall já foi Marista, Skol, Chevrolet, BH Hall, Km de Vantagens e BeFly. Agora volta a ser Arena Hall. E, honestamente, não seria surpresa se daqui a alguns anos ganhasse outro patrocinador e uma nova identidade.
Enquanto isso, o público continuará fazendo exatamente o que sempre fez: comprando ingresso, encontrando os amigos na porta, reclamando do trânsito na saída e dizendo frases como “te encontro no Chevrolet Hall”… mesmo que ele já não exista há quase uma década.
Alguns nomes passam. Outros ficam na memória. Mas, em Belo Horizonte, basta anunciar um grande show na antiga casa da Nossa Senhora do Carmo para todo mundo saber exatamente onde é. Porque, no fim das contas, o verdadeiro nome daquele palco sempre foi a história que ele ajudou a construir.

