
Esquece a imagem do Kiss decidindo sozinho quando, onde e como vai subir num palco. Segundo o próprio Gene Simmons, isso já não existe mais. Em entrevista recente, o baixista e vocalista confirmou que a banda não pode se apresentar ao vivo sem autorização da Pophouse — a empresa sueca que, segundo ele, é hoje dona de tudo que é Kiss.
O dia em que o Kiss “foi vendido”: o acordo de US$ 300 milhões
Em abril de 2024, o Kiss vendeu para a Pophouse — mesma gestora por trás do fenômeno ABBA Voyage — a maquiagem, as músicas, os direitos de publicação e praticamente todo o resto que compõe a marca da banda, em um negócio avaliado em cerca de US$ 300 milhões. Na prática, Gene Simmons resumiu a mudança sem rodeios: o Kiss, como marca e como propriedade intelectual, deixou de pertencer aos próprios integrantes.
Por que a banda precisa de autorização para subir ao palco
Com a venda, a Pophouse passou a deter os direitos sobre logo, maquiagens icônicas e catálogo do Kiss — o que inclui, segundo Simmons, o próprio direito de realizar apresentações ao vivo usando esses elementos. Ou seja: qualquer show oficial do Kiss, hoje, depende do aval da empresa que comprou a marca. É um cenário raro no rock, mas que reflete uma tendência crescente de bandas históricas transformando seu legado em ativo licenciável — mais parecido com uma franquia do que com uma banda tradicional.
O futuro do Kiss sem shows tradicionais: avatares, biopic e museu
Longe de significar o fim, o acordo com a Pophouse vem recheado de planos ambiciosos para manter o Kiss vivo — só que de um jeito bem diferente dos shows como a gente conhece.
O show em avatar chega em 2028, em Las Vegas
O projeto mais chamativo é uma apresentação totalmente digital, com avatares dos integrantes do Kiss, prevista para estrear em 2028 em Las Vegas — nos moldes do que a Pophouse já fez com o ABBA. A ideia inclui até música inédita composta especificamente para esse formato, o que sugere um Kiss que segue “lançando material novo” mesmo sem shows convencionais.
“Shout It Out Loud”: o biopic em produção
Além do show em avatar, o acordo prevê um museu ampliado em Las Vegas, série animada, experiências em parques temáticos e um filme biográfico batizado de “Shout It Out Loud”, atualmente em produção — nome que remete direto a um dos maiores clássicos da banda.
E Gene Simmons, o que anda fazendo?
Enquanto o Kiss segue restrito pelas regras da Pophouse, Gene Simmons mantém sua agenda de shows ativa por conta própria, através da Gene Simmons Band — um jeito de continuar em cima do palco sem esbarrar nas amarras contratuais que hoje cercam o nome Kiss.
Casos assim não são exclusividade do Kiss: bandas veteranas do rock frequentemente escondem bastidores tão dramáticos quanto os próprios shows. Vale conferir também a revelação de Phil Collen sobre os bastidores do sucesso do Def Leppard e como o ZZ Top segue nos palcos mesmo após perdas na formação original.

