Todo mundo adora contar a própria história como se tivesse feito tudo sozinho. Phil Collen, guitarrista do Def Leppard, resolveu fazer o oposto: em entrevista recente, ele entregou o troféu inteiro do sucesso da banda nos anos 80 pra outra pessoa. E olha que o cara não foi discreto na porcentagem.
A confissão sem meio-termo de Phil Collen
Em entrevista ao apresentador Meltdown, da rádio americana 101 WRIF, Collen foi direto: o produtor sul-africano Robert “Mutt” Lange foi “provavelmente uns 99%” responsável pelo estouro do Def Leppard na década de 80. Não é força de expressão — o guitarrista detalhou o tamanho da influência: “Ele nos ensinou a cantar, ele nos ensinou a tocar guitarra”, disse, chamando Lange de “o melhor produtor do mundo” e também um compositor por direito próprio.
“Você chegava com um refrão pronto e ele dizia: ‘ok, isso aí não está forte o suficiente'”, contou Collen sobre o processo criativo ao lado de Lange.
Phil Collen, guitarrista do Def Leppard
Quem é Mutt Lange — e por que ele quase merece crédito de sexto integrante
Se o nome Mutt Lange não te soa familiar, a lista de discos que ele produziu provavelmente vai soar: ele assinou praticamente toda a discografia do Def Leppard nos anos 80, incluindo High ‘n’ Dry (1981), Pyromania (1983) e Hysteria (1987) — os dois últimos somam mais de 30 milhões de cópias vendidas e bilhões de streams no Spotify. Ele também levou crédito de composição em cada faixa de Pyromania e Hysteria, e, segundo Collen, cantou em todas as músicas que produziu com a banda.
Ou seja: quando você canta “Pour Some Sugar on Me” no chuveiro, está cantarolando um pedaço do trabalho de um produtor que a galera fora dos círculos de rock nem sabe que existe.
De High ‘n’ Dry a Hysteria: os discos que mudaram tudo
A trinca de álbuns produzida por Lange é exatamente o período em que o Def Leppard deixou de ser mais uma banda inglesa da NWOBHM (aquela leva de bandas de heavy metal britânico do fim dos anos 70) para virar fenômeno global de MTV e rádio FM. Não é exagero dizer que sem Lange moldando refrões, vocais e produção, a banda muito provavelmente teria ficado só mais um nome em compilações de nicho — no lugar de ocupar o mesmo patamar de gigantes como Bon Jovi e AC/DC, banda que, aliás, também segue firme no radar do rock em 2026 depois da recente aposentadoria do ex-baterista Chris Slade.
Por que isso ainda importa hoje
A confissão de Collen chega num momento em que o próprio conceito de “melhor rock” está em debate — a MTV acabou de cortar a categoria do VMA depois de 37 anos, o que reacendeu discussões sobre como (e se) o gênero ainda é reconhecido pela indústria. Recontar a história de como o Def Leppard virou gigante é um lembrete de que, por trás de todo hino que toca até hoje no rádio, geralmente tem um nome que a galera esquece de citar.


