
Antes de Gilberto Gil emocionar o Palco Mundo e de Elton John fechar a noite com hino atrás de hino, quem esquenta o motor do Rock in Rio 2026 nesta segunda-feira é um cara que a maioria do público brasileiro conhece sem saber que conhece: Jon Batiste, o pianista de terno colorido que passou sete anos comandando a bandinha do “Late Show With Stephen Colbert” e, nas horas vagas, ganhou Grammy, Oscar e Emmy suficientes para abrir uma loja de troféus.
Que horas é o show de Jon Batiste no Rock in Rio 2026?
Jon Batiste sobe ao Palco Mundo às 18h15 desta segunda-feira, 7 de setembro, na sequência de Luísa Sonza (que convida Roberto Menescal) e antes de Gilberto Gil, às 20h30, e Elton John, às 23h. É a primeira vez dele no festival — e a organização não escondeu o motivo de trazê-lo justo agora: o convite veio na esteira direta de uma vitória no Grammy 2026, mesma lógica que trouxe Laufey para o Palco Sunset no mesmo dia.
Quem é Jon Batiste, afinal?
Jonathan Michael Batiste nasceu em 11 de novembro de 1986 em Kenner, na região metropolitana de Nova Orleans, dentro de uma família de músicos tão grande que virou banda: a Batiste Brothers Band. Aos oito anos já tocava percussão profissionalmente com os parentes; hoje domina piano, teclado, escaleta (aquele teclado-instrumento de sopro que virou marca registrada dele) e violão. Formado pela prestigiada Juilliard School, ele carrega Nova Orleans no sangue e no repertório — jazz, R&B, góspel e funk se misturam sem cerimônia em tudo que ele toca.
A fama mainstream veio no talk show de Stephen Colbert, onde liderou a banda Stay Human de 2015 a 2022, tocando ao vivo pra milhões de telespectadores todas as noites nos EUA. Mas quem acha que ele é “só” o cara do late night subestima a carreira: colaborou com Stevie Wonder, Prince, Ed Sheeran e Mavis Staples, assinou a trilha sonora do longa “Soul”, da Pixar — trabalho que rendeu Oscar e Globo de Ouro — e hoje acumula 8 Grammys em 25 indicações, incluindo o de Álbum do Ano em 2022 com “We Are”, categoria em que passou a perna em nomes como Taylor Swift e Billie Eilish.
E o Grammy de 2026?
O convite para o Rock in Rio 2026 veio poucos meses depois de Batiste levar o Grammy de Melhor Álbum Americana com “BIG MONEY” (2025), disco que reforça sua fama de músico inclassificável — tão à vontade tocando jazz de museu quanto puxando groove de bloco de carnaval. Fora dos palcos, ele ainda é diretor criativo do Museu Nacional do Jazz, no Harlem, o que dá uma boa pista do tipo de show que o público do Palco Mundo deve encontrar: menos careta do que “jazz” sugere, mais festa do que qualquer talk show jamais permitiria.
Por que colocá-lo para abrir a noite de Gil e Elton John faz sentido
Tem uma lógica clara na escalação: Batiste transita entre erudito e popular com a mesma naturalidade que Gilberto Gil sempre teve entre MPB, reggae e experimentação, e sua desenvoltura ao piano dialoga direto com o repertório pianístico de Elton John horas depois. Colocá-lo no meio da tarde é aquecer o público para uma noite inteira sobre reinventar o que “música de piano” pode significar — do gospel de Nova Orleans ao art rock britânico, passando pela Bahia de Gil.
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