
Enquanto meio Rio de Janeiro discute se vai chorar mais com “Rocket Man” ou com “Refazenda”, tem uma islandesa de 26 anos prestes a roubar a cena no Palco Sunset do Rock in Rio 2026 sem precisar de fogos de artifício, drone nenhum e sem cantar uma palavra em português. Laufey é a prova de que dá para lotar um palco de festival de rock só com voz, cello e um repertório que parece ter sido roubado de um clube de jazz dos anos 1950 — só que com direito a Grammy debaixo do braço.
Que horas é o show da Laufey no Rock in Rio 2026?
Laufey sobe ao Palco Sunset às 21h55 desta segunda-feira, 7 de setembro, fechando a programação do palco no mesmo dia em que Gilberto Gil e Elton John dividem o Palco Mundo. O dia esgotou meses atrás (o site já contou aqui como foram os ingressos), e quem garantiu entrada tem à frente uma virada de chave e tanto: sair da bossa nova de Gil e do piano-hino de Elton John para o jazz-pop intimista de uma cantora que canta “Bewitched” como quem sussurra segredo.
Quem é Laufey, afinal?
Rachel Lauren “Laufey” Lín Jónsdóttir nasceu na Islândia, é filha de mãe chinesa (violinista) e pai islandês, e cresceu entre Reykjavík e Washington D.C. estudando violoncelo clássico desde criança. A virada de chave veio na pandemia: trancada em casa, ela começou a postar composições próprias no TikTok, misturando jazz vocal old-school com a estética confessional do pop atual — tipo se Ella Fitzgerald tivesse nascido com acesso a smartphone e ansiedade de geração Z.
Funcionou. Os álbuns “Everything I Know About Love” (2023) e, principalmente, “Bewitched” (2023) e “A Matter of Time” (2025) transformaram Laufey de curiosidade de nicho em fenômeno de streaming, com shows esgotados em casas como o Hollywood Bowl, o Royal Albert Hall e a Sydney Opera House. E o Grammy chancelou o hype duas vezes seguidas: ela venceu Melhor Álbum Vocal de Pop Tradicional em 2024 e de novo em 2026, com “A Matter of Time” — dobradinha rara, ainda mais para uma artista que começou cantando para a webcam.
Por que uma cantora de jazz está no line-up de um festival de rock?
Porque o Rock in Rio faz tempo que deixou de ser só sobre guitarra distorcida — e porque Laufey, mesmo sem um riff sequer, movimenta um público jovem e engajadíssimo, o tipo de fã que sabe a letra inteira e ainda vai ao show de terno vintage. O festival apostou na mesma lógica que trouxe Jon Batiste para o Palco Mundo no mesmo dia: recém-premiados no Grammy, prontos para vender ingresso e gerar conversa.
Setlist provável: o que esperar do show
Os shows da turnê atual de Laufey costumam seguir uma estrutura de dois atos: um bloco mais dançante e pop, seguido de uma seção acústica de “clube de jazz” mais intimista, fechando com os hits mais queridos pelo público. Com base no repertório recente, a expectativa é de um setlist puxando por faixas como:
- Lover Girl
- Falling Behind
- Silver Lining
- Bored
- How I Get
- Too Little Too Late
- Valentine (versão jazz)
- Fragile (versão jazz)
- Madwoman
- Promise
- Goddess
- From the Start
- Sabotage
Vale lembrar: é uma previsão baseada no setlist mais recente da turnê, não uma confirmação oficial — festival é território de surpresa, e ninguém descarta uma participação especial brasileira no meio do caminho.
O contraste que só o Rock in Rio consegue criar
Ter Laufey, Jon Batiste, Gilberto Gil e Elton John no mesmo dia de festival é o tipo de escalação que resume por que o evento continua relevante depois de mais de quatro décadas: em vez de apostar só na nostalgia do rock clássico, o Rock in Rio também aposta em quem está vencendo Grammy agora — e isso garante ao público brasileiro acesso a nomes que, fora do festival, dificilmente passariam por aqui em turnê solo tão cedo.
Quer entender quem mais estreia no festival com currículo de premiação recente? A gente já explicou quem é Ne-Yo e a trajetória de Poppy, outras duas estreantes que também surpreenderam o público este ano.

