
Toda pré-show tem um setlist “previsto”. A madrugada deste domingo (13/9) teve o setlist de verdade, e é sempre mais interessante comparar os dois. O Maroon 5 fechou o Palco Mundo do Rock in Rio 2026 logo depois de Demi Lovato, começando à 0h05, com 22 músicas — e cumpriu à risca a fama de banda que sabe exatamente o que o público quer ouvir.
Setlist completo: as 22 músicas do show
- Intro (Beach Boys)
- Harder to Breathe
- Lucky Strike
- This Love
- Stereo Hearts
- Animals
- One More Night
- Misery
- Sunday Morning
- Heavy
- Won’t Go Home Without You
- Memories
- She Will
- Maps
- Love Somebody
- Don’t Wanna Know
- What Lovers Do
- Makes Me Wonder
- Girls Like You
- Moves Like Jagger
- Payphone (bis)
- Sugar (bis)
Como foi o show, segundo a crítica
A recepção da imprensa especializada foi de elogio com ressalva. A Rolling Stone Brasil descreveu a apresentação como “calculada”, elogiando a entrega técnica mas apontando falta de momentos de risco — enquanto o site Nação da Música resumiu o show como “previsível”, só que “cheio de hits”, o tipo de crítica que soa quase como elogio disfarçado. No fim das contas, ninguém questionou a qualidade das músicas: o questionamento foi sobre a ousadia (ou a falta dela) da execução.
Cadê a participação de LISA do BLACKPINK?
Quem esperava ver ao vivo a parceria mais recente da banda, “Priceless” — faixa do álbum “Love Is Like” (2025) com a rapper LISA, do BLACKPINK — precisou se contentar com a faixa fora do setlist. A colaboração não entrou na lista tocada no Rio, o que não chega a ser surpresa: turnês de festival costumam priorizar o repertório clássico, e o Maroon 5 tem catálogo de sobra pra isso, passando por duas décadas de carreira, do pop-rock mais guitarrístico do início até a fase mais próxima do R&B e da eletrônica dos últimos discos.
Setlist previsto x setlist real: o que mudou
A gente já tinha adiantado o provável repertório e o horário do show antes da apresentação — e a lista bateu quase música por música com o que rolou de fato no Palco Mundo, prova de que Adam Levine e companhia não gostam de surpresa em noite de festival grande. Antes deles, quem esquentou o público na mesma madrugada foi Demi Lovato, num show que a crítica descreveu como mais conectado emocionalmente com a plateia — contraste direto com a entrega “cirúrgica” do Maroon 5 na sequência.
Resumo da noite: hit atrás de hit, zero risco, plateia cantando cada refrão do início ao fim. Pra quem foi ao Rock in Rio pra pular gritando “Sugar” e “Moves Like Jagger”, a missão foi cumprida à risca. Pra quem esperava um momento de surpresa genuína, a decepção também tem fundamento.
Curiosidade: quem é Adam Levine além do Maroon 5
Pra quem só conhece os hits, vale o lembrete: Adam Levine começou a carreira ainda adolescente numa banda chamada Kara’s Flowers, que não deu em nada, antes de virar Maroon 5 e emplacar uma sequência de sucessos que atravessa duas décadas. Fora os palcos, ele também é rosto conhecido da TV americana como treinador de várias temporadas do reality musical “The Voice”, é casado com a modelo brasileira-namibiana Behati Prinsloo e coleciona tatuagens suficientes pra render uma matéria à parte.
O clima da madrugada mais concorrida do festival
O detalhe que poucas coberturas mencionam: o Maroon 5 tocou depois de uma sequência pesada de shows no mesmo Palco Mundo, com Zara Larsson e Demi Lovato aquecendo o público horas antes. Mesmo com parte da plateia já visivelmente cansada da maratona de festival, o coro em uníssono em “This Love” e “Girls Like You” mostrou que ninguém ali estava disposto a dormir antes do bis. É o tipo de resposta de público que só um repertório recheado de hits consegue garantir, mesmo (ou principalmente) de madrugada.

