
É difícil imaginar uma dupla mais improvável de virar manchete junto do que Ed Sheeran, o cara das baladas românticas que canta pra plateia inteira com um violão só, e Macklemore, o rapper de Seattle que nunca teve medo de usar o microfone pra falar de política. Pois essa dupla acaba de protagonizar uma das notícias mais comentadas da semana no mundo da música: Macklemore foi tirado da reta final da Loop Tour, a turnê norte-americana de Ed Sheeran, depois de repetir “Free Palestine” em shows anteriores.
Se você chegou até aqui querendo saber o que rolou, direto ao ponto: não teve climão explícito entre os dois nos bastidores, não teve barraco no camarim. O que houve foi pressão de casas de shows que ameaçaram cancelar apresentações inteiras caso Macklemore continuasse no line-up.
O que aconteceu, na prática
Segundo reportagem da Rolling Stone, Macklemore foi removido das últimas oito datas da Loop Tour depois de fazer declarações de apoio à Palestina durante suas participações como atração de abertura. A Variety informou que múltiplas casas de shows ameaçaram não receber os eventos caso o rapper se mantivesse na programação, colocando em risco a realização de toda a turnê — não só a parte dele.
Diante do impasse, a produção optou por tirar Macklemore do restante do trajeto. A turnê segue viagem, com a próxima data confirmada para 19 de setembro, na Filadélfia — só que sem ele no palco.
Por que os shows viraram um problema
O pano de fundo é o conflito entre Israel e Gaza, tema que Macklemore vem tratando publicamente há meses, inclusive em música. Ao contrário de um artista que solta uma frase isolada e segue o show, ele fez das falas pró-Palestina uma espécie de assinatura das suas aparições na turnê — o que, segundo a produção, tornou a situação insustentável para os locais que sediariam os shows.
Vale lembrar que esse tipo de atrito entre carreira musical e posicionamento sobre o conflito não é exatamente novidade: o Radiohead já teve que se explicar publicamente sobre o assunto durante a turnê de reunião da banda, como mostramos aqui na Música Viajante. A diferença é que, dessa vez, quem pagou o preço mais direto foi o artista da abertura, não o headliner.
O que Macklemore disse sobre ser tirado da turnê
Em comunicado publicado nas redes e reproduzido pela Rolling Stone e pela Far Out Magazine, Macklemore fez questão de deixar claro que não se considera vítima da história. “As pessoas afetadas em Gaza são as verdadeiras vítimas”, escreveu, reforçando que seu posicionamento pró-Palestina não deve ser confundido com antissemitismo.
Sobre Ed Sheeran, o tom foi de carinho: ele chamou o colega de “irmão”, admitiu que os dois tiveram “conversas difíceis” por causa do desacordo, mas disse acreditar que a amizade de 13 anos vai sobreviver ao episódio. A frase de efeito ficou por conta do fechamento: “se essas palavras me custaram o palco… então essa foi a turnê de mais sucesso que eu já fiz.”
Até a publicação deste post, Ed Sheeran não havia se pronunciado publicamente sobre a saída de Macklemore da turnê — nem para confirmar detalhes, nem para comentar o comunicado do parceiro.
Um caso a mais na lista de shows afetados por posicionamento político
A música pop vive cercada de exemplos parecidos, ainda que raramente com o desfecho amigável que Macklemore tenta emplacar. Já mostramos por aqui o caso de Fred Durst, do Limp Bizkit, banido de um festival por declarações antigas sobre a Rússia — outro lembrete de que, quando a política entra no palco, a conta pode chegar anos, meses ou, como agora, só alguns shows depois.
Por enquanto, a Loop Tour de Ed Sheeran segue o roteiro sem Macklemore, e resta saber se o assunto vai render um pronunciamento oficial do cantor britânico ou se o caso vai ficar só na nota de um dos dois lados. De um jeito ou de outro, é o tipo de bastidor que garante que a turnê continue dando o que falar — só que por um motivo bem diferente do repertório.
Fontes: Rolling Stone, Variety e Far Out Magazine.

