
Quem esperava a Marina Sena de sempre — aquela que faz o Palco Sunset virar pista de dança só com um requebro — levou uma bela surpresa no domingo (13/9). No Rock in Rio 2026, a cantora mineira trocou parte da coreografia por teatralidade, misticismo e até um boneco de vodu sendo arrastado pelo palco. Nome do espetáculo: “Fenômeno Natural”. E, sim, ele deu o que falar.
Um show que apostou na teatralidade em vez do passinho
Com o Palco Sunset lotado, Marina abriu a apresentação com “Numa Ilha” e passou a maior parte do repertório mergulhada no universo de “Coisas Naturais” (2025), seu terceiro álbum. A aposta era clara: menos coreografia old school, mais encenação. O figurino já avisava que a noite seria diferente — bem distante do visual místico-pop de turnês anteriores, com referências religiosas e culturais mais explícitas na produção.
O detalhe que mais rendeu comentários nas redes foi a aparição de um boneco de vodu arrastado pelo palco durante uma das músicas — um daqueles momentos que ou você ama, ou não entende nada, mas de qualquer forma não esquece.
O público demorou, mas se rendeu
Segundo a Rolling Stone Brasil, a plateia começou a apresentação mais contida que o normal — natural, já que a proposta pedia mais atenção e menos hit atrás de hit. A virada de chave veio com “Por Supuesto”, o megahit que já é praticamente hino de qualquer show de Marina Sena: foi nesse momento que ela desceu do palco para interagir com os fãs, visivelmente emocionada, e a plateia enfim embarcou de vez.
Outro pico de energia ficou por conta de “Voltei Pra Mim”, tratado pela crítica como o hino de autorrealização do show — e que resume bem o momento de carreira da artista, cada vez mais confiante para fugir da fórmula que a consagrou.
A participação de Céu
Um dos momentos mais comentados do show foi a entrada de Céu para dividir o palco com Marina em uma série de duetos. A dobradinha entre duas das vozes mais respeitadas da nova MPB reforçou o tom mais autoral e menos radiofônico que “Fenômeno Natural” perseguiu do início ao fim — e deu ainda mais peso à ideia de que esse show era, antes de tudo, uma declaração de identidade artística.
Como resumiu a Billboard Brasil, foi um “teatro pop sob chuva” — a apresentação também driblou uma passagem de chuva no Parque Olímpico sem perder o ritmo.
O que a crítica achou
Na avaliação da Rolling Stone Brasil, o show consolidou Marina Sena como uma das grandes divas da música brasileira do momento, justamente por arriscar uma proposta menos óbvia num festival do tamanho do Rock in Rio — palco em que a tentação de repetir a fórmula seria enorme. Em vez disso, ela optou por um espetáculo mais teatral, mais pessoal e, ainda assim, capaz de arrancar coro em uníssono nos momentos certos.
Marina já vinha construindo esse caminho há tempos: da conexão declarada com o Candomblé, que já contamos em detalhes por aqui, até o significado por trás de faixas como “Taiobeiras (Folha Grande)”, sua raiz mineira nunca escondida. O show no Rock in Rio 2026 é, de certa forma, a versão mais ambiciosa dessa identidade construída álbum após álbum — a mesma que ela já havia esboçado quando levou “Coisas Naturais” para o Befly Hall, em BH.
Se você também acompanhou outras atrações do festival, vale conferir como foi o show de encerramento do Twenty One Pilots e a apresentação do Maroon 5 no Palco Mundo.
Fontes: Rolling Stone Brasil e Billboard Brasil.

