Se existe alguém no planeta que pode olhar para trás com a sensação de missão cumprida, esse alguém é David Gilmour. Como a voz e a guitarra por trás dos álbuns mais monumentais do Pink Floyd, ele moldou a história da música psicodélica e progressiva, alcançando um status que ultrapassou qualquer expectativa. Gilmour não é o tipo de artista que perde o sono pensando no que poderia ter feito de diferente.
No entanto, antes de ser uma lenda viva e um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos, ele continua sendo um fã de música. E, como qualquer fã, ele tem aquela canção especial de outro artista que olha com admiração e uma pontinha de inveja criativa.
Analisamos o relato da Far Out Magazine sobre a obra-prima que Gilmour considera a definição exata de perfeição pop. E para a surpresa de quem espera algo complexo, o líder do Pink Floyd escolheu a simplicidade poética do The Kinks. A cobertura completa você acompanha no musicaviajante.com.br.
O Ano de Ouro e o Desejo de Gilmour: “Waterloo Sunset”
Para entender a conexão de Gilmour com essa música, precisamos voltar no tempo. Embora o título da matéria mencione o ano de 1969 no enunciado original do jornalista, a faixa em questão é o hino britânico “Waterloo Sunset”, lançado originalmente em 1967.
Aquele foi um ano de virada dramática para Gilmour. No início de 67, ele estava na França, tentando engrenar uma carreira musical que parecia não ir a lugar nenhum. Enquanto isso, do outro lado do Canal da Mancha, o Reino Unido vivia uma efervescência cultural sem precedentes. Foi só em dezembro daquele ano que David recebeu o convite que mudaria sua vida: assumir as guitarras do Pink Floyd diante da saúde mental debilitada de Syd Barrett.
Mas enquanto andava pelas ruas de Paris com saudades de casa, a trilha sonora que mexia com a cabeça de Gilmour vinha do talento de Ray Davies e os riffs alegres de seu irmão Dave Davies, a mente pensante por trás do The Kinks.
Durante o seu concerto especial Remember That Night – Live At The Royal Albert Hall, Gilmour foi categórico ao definir seu sentimento pela faixa:
“Para mim, a música pop perfeita é ‘Waterloo Sunset’ dos Kinks. Eu teria amado ter escrito essa canção.”
O passaporte para Londres em qualquer lugar do mundo
O amor de Gilmour por “Waterloo Sunset” é de longa data. Em 2003, ao participar do tradicional programa Desert Island Discs da BBC, ele listou a faixa como uma das oito músicas sem as quais ele simplesmente não conseguiria viver se estivesse isolado em uma ilha deserta.
Mais de uma década depois, em 2015, ele explicou à revista Uncut o poder quase mágico e de teletransporte que a composição exerce sobre ele: “Em uma praia linda e quente, ouvir isso em ‘outro’ pôr do sol, e sentir saudades de Londres, seria um momento maravilhoso”. Não importa se Gilmour está tocando nas ruínas de Pompeia ou descansando em uma praia em Barbados; basta o primeiro acorde de Ray Davies soar para que ele veja o horizonte de Londres em um dia de verão.
A história por trás da poesia de Ray Davies
A letra de “Waterloo Sunset” é uma das cartas de amor mais bonitas já escritas para a capital britânica. Durante décadas, os fãs especularam que o casal citado na letra, Terry e Julie, teria sido inspirado pelo romance real entre os atores Terence Stamp e Julie Christie.
Contudo, o próprio Ray Davies revelou mais tarde que a verdadeira faísca foi a sua irmã, que planejava emigrar do Reino Unido com o namorado. A canção nasceu desse sentimento melancólico e nostálgico de ver alguém querido partindo para o “novo mundo”, enquanto o Rio Tâmisa e a estação de Waterloo continuavam lá, firmes, testemunhando o entardecer.
O Veredito do Viajante Musical
Para quem viaja explorando os cantos históricos do rock britânico, passar o fim de tarde na estação de Waterloo assistindo ao pôr do sol é quase um clichê obrigatório. E saber que David Gilmour — o homem que criou os solos espaciais de “Time” e “Comfortably Numb” — encontra conforto e perfeição nessa simplicidade urbana é fascinante.
A genialidade de “Waterloo Sunset” está justamente aí: ela cria um sentimento de pertencimento e acolhimento tão profundo que qualquer compositor de respeito, se for honesto, gostaria de ter sido o arquiteto dessa melodia.
E você, concorda com o mestre David Gilmour? Acha que “Waterloo Sunset” é realmente a música pop perfeita ou o seu “pôr do sol perfeito” tem outra trilha sonora? Comenta aqui embaixo e vamos colocar esse clássico dos Kinks para rodar!

