A canção de 1980 que Tom Jones considerou perfeita demais para regravar

A canção de 1980 que Tom Jones considerou “perfeita demais” para regravar

A arte de fazer um cover é um terreno perigoso. O lendário cantor galês Tom Jones sabe muito bem disso: não há nenhum mérito em entrar em um estúdio para registrar uma versão que soe apenas como um karaokê de luxo. Se ele não puder injetar uma nova identidade em uma composição e entregar algo genuinamente valioso, ele simplesmente deixa a música de lado.

Jones construiu uma carreira monumental baseada em reconhecer seus pontos fortes. Embora não seja um compositor nato, ele se tornou um mestre em garimpar canções alheias e reajustá-las ao seu estilo magnético e potente. No entanto, existe uma obra-prima de 1980 que o “Tiger” considerou tão intocável que ele se recusou terminantemente a colocar sua voz nela em estúdio.

Analisamos o relato trazido pelo jornalista Joe Taysom sobre o dia em que Tom Jones preferiu o respeito artístico ao sucesso comercial garantido. Você confere os detalhes agora no musicaviajante.com.br.

O “Não” a um Hit Garantido: “He Stopped Loving Her Today”

Segundo o Far Out Magazine, a história desse quase-cover começa com uma parceria antiga. Em 1966, Tom Jones alcançou o estrelato internacional definitivo ao regravar “Green Green Grass of Home”, uma composição country de Curly Putman que havia sido lançada originalmente por Porter Wagoner. A versão de Jones transformou a música em um hino global.

Anos mais tarde, sabendo do toque de Midas do cantor galês, Putman enviou a Jones uma nova composição chamada “He Stopped Loving Her Today”. O compositor estava ansioso por mais um topo das paradas, mas Jones recusou a oferta imediatamente. O motivo? Não foi por não ter gostado da canção, mas sim pelo fato de ele ter ficado completamente assombrado com a versão que outro ícone já havia registrado: George Jones.

Em uma entrevista franca à revista Shortlist, Tom Jones relembrou o diálogo com o compositor:

“O George Jones já tinha gravado, mas ainda não tinha lançado. Curly me mandou a música e eu disse: ‘Por que você está me mandando isso? O George Jones já fez — o George colocou a alma dele nisso, sabe?'”

Arte versus Comercialismo

Naquela época, em 1980, Tom Jones era um nome infinitamente mais famoso e popular no Reino Unido e na Europa do que o cantor de country americano George Jones. O compositor Curly Putman argumentou que Tom poderia transformar aquela melancolia country em um “disco pop” de apelo massivo, o que fatalmente renderia milhões de cópias fora dos Estados Unidos.

Tom Jones, contudo, bateu o pé. Para ele, a gravação original de George Jones — que retrata a história trágica de um homem que só deixa de amar sua companheira no dia de sua morte (daí o título “Ele parou de amá-la hoje”) — tinha uma essência que não aceitava concessões comerciais.

“Eu disse: ‘Acho que não. Isso está perfeito do jeito que o George Jones fez’. E eu amo essa música. Cheguei a cantá-la no palco em alguns concertos, é uma canção linda e emocionante”, explicou o galês.

O Veredito do Viajante Musical

Para quem viaja pelas estradas da música e explora as raízes de Nashville, “He Stopped Loving Her Today” é frequentemente eleita a maior canção country de todos os tempos. A decisão de Tom Jones de não diluir essa obra-prima para o mercado pop britânico é um testamento de sua integridade artística.

Ele sabia que uma versão comercial e “mastigada” seria um desserviço à carga dramática que George Jones imprimiu na faixa. Tom Jones nos provou que, às vezes, a maior demonstração de talento de um intérprete é saber exatamente quando abaixar o microfone e apenas aplaudir a perfeição alheia.

E você, já conhecia essa obra-prima do country na voz de George Jones? Acha que o vozeirão imponente de Tom Jones teria feito justiça à música ou ele agiu certo em deixá-la quieta? Comenta aqui embaixo e vamos ouvir esse clássico!