
O Sepultura escolheu se despedir do Rock in Rio do jeito mais Sepultura possível: dividindo opinião. Neste sábado (5/9), a banda subiu ao Palco Mundo às 16h40 para o que a própria turnê já chama de Celebrating Life Through Death — o penúltimo show da carreira antes do adeus definitivo, marcado para acontecer ainda em 2026, em um estádio de São Paulo. Só que, em vez de puxar os hits que até quem não curte metal conhece, o quarteto optou por um repertório fechado: apenas músicas gravadas a partir da chegada de Derrick Green ao vocal, no fim dos anos 1990.
O show de despedida que não tocou os maiores clássicos
Explicando sem rodeio: o Sepultura tem uma era pré-Derrick Green (com Max Cavalera) que produziu boa parte do que ficou marcado na cultura pop mundial — incluindo faixas que viraram sinônimo da própria palavra “thrash brasileiro” e que powam em trilhas, games e até em rodas de churrasco entre quem nunca ouviu um disco inteiro de metal na vida. Pois no Rock in Rio 2026, nenhuma dessas músicas entrou no setlist. A escolha foi 100% dedicada aos mais de 25 anos de Derrick Green à frente da banda — e isso, nas redes sociais, rendeu discussão na hora.
De um lado, fãs que acharam a homenagem justa: Green é hoje o vocalista que ficou mais tempo no Sepultura, mais até que o próprio Max Cavalera, e nunca teve o reconhecimento equivalente fora do meio do metal. Do outro, quem foi ao show (ou assistiu de casa) esperando o momento coletivo de gritar os clássicos mais conhecidos da banda — e saiu sem ele, justamente na despedida.
Por que a banda decidiu fechar assim, na reta final
A lógica por trás da escolha não é birra de última hora. O Sepultura já vinha construindo essa narrativa desde o início da turnê de despedida: reconhecer publicamente que a formação com Green é a mais longeva da história da banda, e que o “outro Sepultura” já tem seu espaço mais do que consolidado — inclusive em posts, documentários e homenagens à parte. Ao reservar o show do Rock in Rio só para a fase Green, a banda tentou fazer o que poucos artistas fazem em turnê de despedida: dar o troco de reconhecimento a quem segurou a barra por mais tempo, mesmo sabendo que isso ia custar caro em popularidade do momento.
Vale lembrar que o Sepultura não é estreante na Cidade do Rock: a passagem deste sábado marca a oitava participação da banda no festival desde 1991, o que só reforça o peso simbólico de fechar esse ciclo específico ali, no mesmo palco onde a história com o público brasileiro começou décadas atrás.
Quando (e onde) será o show final da turnê
Segundo o guitarrista Andreas Kisser, o show que vai encerrar de vez a carreira do Sepultura tem tudo para acontecer ainda em 2026, em São Paulo — e em formato estádio. Mais que isso: a ideia é convidar ex-integrantes para participar dessa despedida final, o que abre margem (mas não confirma) para um reencontro com nomes do passado da banda, incluindo a fase que ficou de fora do Rock in Rio. Ou seja: quem sentiu falta dos clássicos neste sábado pode ainda ter motivo para comemorar quando a turnê chegar ao fim.
O “dia do metal” no Rock in Rio 2026
O show do Sepultura abriu a programação mais pesada do festival neste sábado, que seguiu com Machine Gun Kelly, Bring Me The Horizon e fechou com Avenged Sevenfold no Palco Mundo — além de Poppy e Bad Omens no Palco Sunset. Uma programação que, como registramos por aqui na cobertura do Foo Fighters no Rock in Rio 2026 e do Rise Against, tem sido de reencontros e despedidas emocionadas nesta edição do festival.
No fim das contas, o Sepultura fez o que sempre soube fazer: dividir opinião sem perder relevância. Concordando ou não com o setlist, ninguém saiu da Cidade do Rock esquecendo que aquele foi, oficialmente, o começo do fim de uma das bandas mais importantes da história do metal brasileiro.
Nota sobre direitos autorais: este texto cita nomes de músicas apenas para fins de contextualização jornalística, sem reprodução de trechos de letra, em conformidade com a Lei 9.610/98.

