system of a down em são paulo
Serj Tankian of System of a Down performing live on stage on day 1 of Download Festival at Donington Park, UK. Picture date: Friday 09 June, 2017. Photo credit: Katja Ogrin/ EMPICS Entertainment.

System of a Down volta ao Brasil em 2027 para show único no Maracanã com Faith No More

 

O Brasil mal teve tempo de se recuperar da passagem recente do System of a Down e já ganhou motivo para começar a contar os meses novamente. A banda anunciou uma apresentação única no país em 15 de janeiro de 2027, no Maracanã, no Rio de Janeiro, e decidiu transformar o retorno em algo ainda maior ao convocar o Faith No More como convidado especial.

É o tipo de anúncio que parece criado por alguém que abriu uma pasta chamada “bandas que marcaram a adolescência de quem ainda compra camiseta preta” e resolveu não economizar.

Segundo informações divulgadas pelo G1, o show será a única apresentação do System of a Down no Brasil em 2027, com pré-venda programada para clientes Itaú Private e Personnalité e venda geral logo depois.

A volta acontece menos de dois anos após a banda quebrar uma espera de uma década para se apresentar novamente no país.

Depois de dez anos, o Brasil aparentemente virou parada obrigatória

Em 2025, o System of a Down voltou ao Brasil após dez anos longe dos palcos nacionais.

A resposta dos fãs foi tão absurda quanto previsível.

O então único show anunciado em São Paulo teve cerca de 50 mil ingressos esgotados, obrigando a organização a ampliar a agenda. No fim das contas, a passagem ganhou novas datas na capital paulista, além de apresentações em Curitiba e no Rio de Janeiro.

Foi uma demonstração clara de que a relação entre a banda e o público brasileiro não tinha esfriado durante a ausência.

Muito pelo contrário.

Bastou Serj Tankian abrir a boca, Daron Malakian ligar a guitarra e alguém tocar os primeiros segundos de qualquer clássico para milhares de pessoas lembrarem instantaneamente que ainda sabiam todas as letras — inclusive aquelas partes cantadas rápido demais que metade do público apenas reproduz foneticamente desde 2001.

Agora, o grupo retorna para um cenário ainda maior: o Maracanã.

System of a Down + Faith No More não é exatamente uma noite tranquila

Se o anúncio do System of a Down sozinho já seria suficiente para lotar o estádio, a inclusão do Faith No More transforma a noite em algo especialmente interessante para fãs de rock alternativo e metal.

As duas bandas construíram carreiras baseadas justamente em uma certa alergia à previsibilidade.

O System of a Down conseguiu misturar metal, hardcore, música armênia, melodias pop, mudanças bruscas de andamento e letras políticas sem parecer uma experiência científica que deu errado.

Já o Faith No More passou décadas mostrando que funk, metal, punk, experimentalismo e humor esquisito poderiam ocupar a mesma música sem a necessidade de preencher um formulário antes.

A combinação, portanto, faz muito sentido.

Ou absolutamente nenhum.

E talvez seja exatamente por isso que funcione tão bem.

Para quem cresceu nos anos 1990 e 2000, existe ainda um componente importante de memória afetiva. Faith No More e System of a Down representam gerações diferentes, mas ajudaram a desmontar a ideia de que música pesada precisava seguir sempre a mesma cartilha.

Uma banda abriu caminhos.

A outra passou por eles correndo, derrubando paredes.

Um show em estádio para uma banda que nunca viveu apenas de nostalgia

O mais curioso sobre o System of a Down é que a banda continua capaz de movimentar estádios mesmo sem funcionar como uma máquina tradicional de lançamentos.

O último álbum de estúdio do grupo, Hypnotize, saiu em 2005.

Sim: quando aquela música saiu, Orkut ainda parecia uma boa ideia.

Desde então, a banda lançou apenas material pontual, como “Protect the Land” e “Genocidal Humanoidz”, em 2020, mas permaneceu gigantesca.

Isso diz bastante sobre a força do repertório.

“Chop Suey!”, “Toxicity”, “B.Y.O.B.”, “Aerials”, “Sugar”, “Question!” e tantas outras músicas atravessaram gerações sem depender de revival artificial. O público original continuou ouvindo, enquanto novos fãs descobriram os discos através de streaming, vídeos e redes sociais.

O resultado é uma situação relativamente rara: uma banda com mais de duas décadas de carreira que consegue despertar nostalgia sem parecer exclusivamente nostálgica.

Maracanã entra na rota do peso

A escolha do Maracanã também ajuda a transformar o evento em algo diferente das apresentações tradicionais em arenas ou festivais.

O estádio é um dos espaços mais simbólicos do Brasil e historicamente ligado ao futebol, mas também acumulou apresentações musicais gigantescas ao longo das décadas.

Receber System of a Down e Faith No More ali coloca o evento numa escala quase de celebração geracional.

E, considerando a intensidade habitual do público brasileiro, talvez seja prudente verificar se as estruturas estão preparadas para dezenas de milhares de pessoas pulando ao mesmo tempo quando começar “Chop Suey!”.

Não seria exatamente a primeira vez que fãs brasileiros tratariam um show de rock como se estivessem disputando uma final continental.

Quando começam as vendas?

A pré-venda dos ingressos começa na quarta-feira, 19 de agosto, às 10h, exclusiva para clientes Itaú Private e Personnalité.

Já a venda geral será aberta na sexta-feira, 21 de agosto, ao meio-dia.

Os preços informados variam entre R$ 272,50 e R$ 2.790.

Ou seja: existe ingresso para quem deseja assistir ao show e ingresso para quem aparentemente pretende adquirir participação societária no palco.

Como aconteceu na passagem de 2025, a expectativa é de grande procura. Portanto, quem pretende garantir presença provavelmente não deveria confiar na estratégia clássica de “depois eu vejo isso”.

Foi exatamente assim que muita gente terminou encarando fila virtual, ingresso esgotado e aquele amigo insuportável mandando foto de dentro do estádio.

System continua sendo System

Parte da força da banda continua vindo de algo que nunca desapareceu completamente de seu repertório: tensão.

As músicas do System of a Down sempre misturaram absurdo, política, violência, humor e crítica social. Mesmo quando os integrantes passaram longos períodos sem produzir material novo juntos, esse catálogo continuou atual — às vezes de maneira desconfortável.

Talvez por isso o retorno continue provocando tamanha reação.

Não é apenas a chance de ouvir sucessos antigos.

É reencontrar uma banda que conseguiu transformar caos em linguagem própria.

E colocar o Faith No More na mesma noite parece quase uma confirmação de intenção.

No dia 15 de janeiro de 2027, o Maracanã pode deixar de ser templo do futebol por algumas horas para virar um enorme templo da música pesada e estranha.

Considerando as duas bandas envolvidas, chamar aquilo apenas de “show” talvez seja simplificar demais.

Provavelmente será mais parecido com um distúrbio organizado — só que com ingresso, guitarra e algumas dezenas de milhares de testemunhas.