
Parece que Ed Sheeran vai precisar de mais do que um violão e um loop pedal para sair dessa. Depois de tirar Macklemore da abertura da Loop Tour — como contamos quando a expulsão aconteceu — o cantor britânico está enfrentando uma bola de neve de boicote que já custou centenas de milhares de seguidores e, agora, também espaço no rádio. E o pior: a crise não dá sinal de estar perto do fim.
A rádio que baniu Ed Sheeran (e a que negou ter feito isso)
De acordo com a Euronews, a Classic Hits Radio, emissora comercial irlandesa da rede Bay Broadcasting, anunciou que removeu as músicas de Ed Sheeran da programação depois de uma enxurrada de reclamações de ouvintes. Em comunicado, Dave Kelly, diretor de programação do grupo, tentou suavizar o tom: “Nossa decisão de remover as músicas de Ed Sheeran da grade da Classic Hits Radio foi cuidadosamente considerada. Não se trata de um julgamento pessoal sobre Ed Sheeran”. Vale um esclarecimento importante para não espalhar informação errada: a RTÉ, emissora pública irlandesa, negou publicamente ter tomado qualquer decisão de banir o cantor — o veto partiu especificamente da rádio comercial, não do sistema público de radiodifusão do país.
Os números de uma fuga em massa
Se o boicote parecia coisa de bolha de internet, os números dizem outra coisa. Ed Sheeran perdeu 149.636 seguidores no Instagram em um único dia logo após o anúncio da expulsão de Macklemore, somando mais de 260 mil perdidos ao longo de três dias. Do outro lado da equação, Macklemore ganhou 750.098 seguidores só no período inicial. Somando o rapper e os outros artistas que deixaram a turnê em solidariedade, o saldo chega a 1,638 milhão de novos seguidores conquistados coletivamente — um dos casos mais nítidos de “cancelamento reverso” que o showbiz já viu em tempo real.
O que Ed Sheeran disse sobre a própria decisão
Sheeran tentou se defender afirmando que a decisão de tirar Macklemore não foi dele, e sim da produtora da turnê, pressionada pelos próprios donos das arenas e estádios que ameaçaram não receber os shows caso o rapper voltasse ao palco gritando “Free Palestine”. Em nota, o cantor declarou: “Eu respeito a firmeza de propósito do Macklemore ao tomar uma posição… No entanto, existe espaço para abordagens diferentes em busca do mesmo objetivo: a paz”. O problema é que, para boa parte do público, a frase soou mais a gestão de crise do que a convicção.
Roger Waters, AOC e Massive Attack entram na briga
A lista de críticos famosos só cresce. Roger Waters, do Pink Floyd, chamou Sheeran publicamente de “prick” (algo como “babaca”, em tradução livre). A deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez admitiu que mudaria de estação se uma música dele tocasse no rádio. Já o grupo britânico Massive Attack resumiu o clima geral em uma frase afiada: “‘Neutralidade’ diante de um massacre nunca pode ser neutralidade”. Enquanto isso, artistas irlandeses como Aaron Rowe e a banda Beoga também deixaram a Loop Tour em solidariedade a Macklemore — movimento parecido com o de Finneas, que já havia saído da turnê nos shows brasileiros.
O que sobrou da Loop Tour
Com a debandada geral de atrações de abertura e banda de apoio, a Loop Tour segue agora só com Ed Sheeran no palco, sozinho, sem a estrutura que ajudava a segurar o clima de festival dos shows. A pergunta que fica é se o cantor vai conseguir esfriar essa polêmica antes que ela comece a afetar de verdade a bilheteria — ou se, como tantos outros casos recentes do showbiz, o preço de tentar agradar todo mundo vai continuar sendo pago em seguidores perdidos, uma rádio de cada vez.

