Finneas O'Connell se apresentando ao vivo

Finneas Sai da Turnê de Ed Sheeran em Protesto Contra a Expulsão de Macklemore

Finneas O'Connell se apresentando ao vivo
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Parecia que a novela Macklemore x Ed Sheeran tinha fechado o capítulo com a nota oficial de expulsão. Só que a Loop Tour descobriu, nas últimas horas, que solidariedade também viaja em turnê. Finneas, produtor, cantor e irmão de Billie Eilish, anunciou que está deixando as datas em que abriria para Sheeran — incluindo os dois shows marcados para dezembro no Allianz Parque, em São Paulo. O motivo: protesto contra a saída forçada de Macklemore, removido da turnê depois de gritar “Free Palestine” duas vezes seguidas no palco do MetLife Stadium.

O efeito dominó que ninguém esperava

Se você achou que a história teria só um capítulo, subestimou o poder de um grupo de artistas ofendidos coletivamente. Segundo a Rolling Stone Brasil, Finneas não foi o único a bater a porta: Lukas Graham, que dividia o posto de abertura com o próprio Macklemore, e a banda irlandesa Beoga, responsável pelo esquenta das datas americanas finais, também anunciaram saída. O cantor Aaron Rowe completa a lista dos que resolveram não seguir a excursão até o fim.

A justificativa de Finneas foi direta: “artistas não deveriam ser silenciados por falar contra opressão”. Já Aaron Rowe puxou pela memória histórica: “como irlandeses, a gente entende bem o que é genocídio, fome forçada e ocupação violenta” — uma alfinetada e tanto vinda de quem sabe do que fala.

Por que Macklemore foi expulso, mesmo (relembrando o caso)

Se você perdeu o início dessa novela, a Música Viajante já contou em detalhes por que Macklemore foi tirado da turnê de Ed Sheeran. Resumindo: o rapper usou uma kaffiyeh palestina e performou a música-protesto “Hind’s Hall” durante dois shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Segundo apurou a NME, o empresário Robert Kraft — dono do Gillette Stadium e dos New England Patriots — teria articulado com outros proprietários de estádio para barrar a continuidade do rapper na turnê.

Em depoimento à publicação, Macklemore foi categórico: “o que eu disse no MetLife eu já venho dizendo em palcos ao redor do mundo há quase três anos”. Para ele, o problema nunca foi o discurso em si, mas a visibilidade: “a partir de um certo nível de exposição, ‘Free Palestine’ vira um risco grande demais”. Ed Sheeran, por sua vez, não confirmou publicamente ter cedido à pressão, mas o próprio Macklemore afirmou que o cantor britânico relatou receber cobrança direta de Kraft.

E o show em São Paulo, como fica?

Aqui está o detalhe que interessa direto ao bolso do fã brasileiro: as datas de dezembro no Allianz Parque seguem confirmadas com Ed Sheeran no line-up, mas Finneas — que seria uma das atrações de abertura — não deve mais aparecer. Até o momento, a organização da Loop Tour no Brasil não anunciou substituto oficial para o time de abertura por aqui, e a expectativa é que isso seja definido nas próximas semanas.

Vale lembrar que Finneas não é qualquer coadjuvante: além da carreira solo, ele é o parceiro de composição e produção de praticamente toda a discografia de Billie Eilish, o que tornava sua presença na abertura um baita chamariz à parte para o público brasileiro.

Ed Sheeran tenta ficar em cima do muro

Enquanto isso, Sheeran segue na estratégia de não se queimar com ninguém: mantém que tem opiniões pessoais sobre o conflito, mas prefere não usar o próprio palco como palanque político. O problema é que, quando você é o dono da turnê, ficar em cima do muro também é uma escolha política — e essa semana provou que nem toda banda de abertura está disposta a fingir que não viu nada.

Resta saber se o efeito cascata para por aí ou se mais nomes da Loop Tour vão engrossar a lista de saídas antes da passagem pelo Brasil em dezembro. Por enquanto, uma coisa é certa: o que era pra ser só mais uma turnê de estádio virou o assunto político mais quente do pop internacional em 2026.