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Review Titãs @ Befly Hall, Belo Horizonte – 25/04/2026

O Titãs lançou o Cabeça Dinossauro, clássico essencial do rock nacional que falamos aqui, em 1986. 40 anos se passaram e o disco mantém seu status (e importância), agora influenciando novas gerações. A turnê comemorativa passou por Belo Horizonte na noite do último sábado, com casa lotada no Befly Hall. Adolescentes e adultos estavam lá ansiosos para fazer parte desta festa, que atendeu todas as expectativas.

Embora seja um disco político, não existiu espaço para Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto aproveitarem a deixa para deixar uma mensagem aproveitando o ano de eleições. O próprio Britto, em uma das poucas partes da banda conversando com o público, disse que “hoje vamos só tocar“. Entendo como uma forma de deixar claro “bicho, tudo que temos para dizer está nas nossas letras“, mas também como um reconhecimento da polarização que pode acabar gerando problemas e brigas entre o público.

Os minutos iniciais são com uma locução em off dos documentos mostrando a censura sofrida pela faixa “Bichos Escrotos” na época do lançamento. Para o bom entendedor, seria o suficiente, mas hey, estamos no Brasil de 2026 e o óbvio não é tão óbvio assim. Na sequência, com uma bateria ensurdecedora, iniciaram a apresentação com “Cabeça Dinossauro”. Além do trio original, a banda estava acompanhada de três músicos de apoio: Beto Lee e Alexandre de Orio na guitarra, e Mario Frade na bateria (posto que assume desde 2010, quando Charles Gavin saiu da banda).

Ao contrário da tendência atual, o Titãs usou o telão apenas como apoio para mostrar a banda em ação. Um alívio para quem convive com excesso de informações o tempo todo e uma mensagem clara: o foco é fazer rock pesado, deixar todo mundo surdo e feliz. Depois de todos esses anos funciona. O trio remanescente não deixa a peteca cair e sobrevive com força e carinho pelos fãs. E a parte visual conta demais aqui: Branco e Tony entraram no palco com sobretudos vampirescos e a iluminação criava belas cenas para quem ficou longe demais do palco.

Após as 13 canções de Cabeça Dinossauro, o Titãs iniciou praticamente um segundo show. “Será que é Isso que eu Necessito” foi uma porrada bem-vinda e compensou sua ausência no setlist da turnê “Encontro” em 2023. A surpresa ficou para “Eu Não Aguento”, cuja letra faz uma brincadeira com as sílabas das palavras. Não adiantou o apelo do público: não teve “Marvin” e tá tudo bem. A gente já tinha presenciado histórias demais ao longo da noite para lamentar a falta de um clássico ou outro (o que no caso do Titãs significaria uma apresentação de três, quatro horas de duração).

O encerramento ficou com “Flores”. E talvez tenha sido o único momento em que os fãs de longa data sentiram saudade da época dourada da banda. O solo de sax de Paulo Miklos faz muita falta nessa música. Não dá para reclamar de “Bichos Escrotos” sem solo de baixo, mas “Flores” tem o saxofone como um elemento fundamental. Mas tá tudo certo. A vida é feita de ciclos e o Titãs entende os atalhos para seguir em frente e continuar como uma das maiores bandas do Brasil. No final das contas, é tudo sobre a diversão, não é verdade?