
O Slipknot escolheu uma terça-feira qualquer do calendário — sem festival, sem turnê marcada, sem aviso prévio — para soltar a bomba: “Arsenal”, o primeiro som inédito da banda desde o álbum The End, So Far, de 2022. Só que o motivo de “Arsenal” ter virado assunto imediato por aqui não é (só) o peso da batida industrial. É o nome que aparece nos créditos da bateria: Eloy Casagrande.
Quatro anos de silêncio, um retorno sem aviso
Desde 2022 o Slipknot vinha em modo turnê e reformulação interna, sem lançar material novo. Pelo caminho, a banda perdeu mais uma peça: Sid Wilson, o DJ/sampler mascarado de #0 e um dos membros fundadores, anunciou saída do grupo em 2026, reduzindo ainda mais o já remodelado “exército” de nove integrantes que caracteriza a banda desde os anos 1990. É nesse contexto de reconstrução que “Arsenal” chega — não como um single qualquer, mas como prova de vida de uma banda que precisa provar, ao mesmo tempo, que consegue se reinventar e que ainda sabe assustar.
O lançamento-surpresa é típico do manual de marketing do Slipknot: nada de contagem regressiva de semanas, nada de post “em breve”. A banda simplesmente soltou o single, deixando fãs e imprensa especializada correndo atrás do contexto — uma estratégia que, no fim, gera exatamente o tipo de burburinho orgânico que qualquer assessoria sonha em fabricar.
Eloy Casagrande: do Sepultura para dentro da máscara do Slipknot
Aos 35 anos, o baterista de Santo André (SP) passou pela Sepultura por mais de uma década, ajudando a levar o metal brasileiro para os maiores palcos do planeta — inclusive na despedida (com polêmica de setlist incluída) no Rock in Rio 2026. Em 2024, o convite veio de outro tamanho: substituir Jay Weinberg na bateria do Slipknot, uma das bandas mais influentes do metal mundial, vencedora de Grammy e com décadas de estradas percorridas atrás das nove máscaras.
“Arsenal” marca a estreia oficial de Eloy em estúdio com a nova casa, transformando o que já era uma escalação de turnê e virando, finalmente, disco. Para quem acompanhou a trajetória dele desde os tempos de Sepultura, ouvir sua batida dentro de uma produção tão mecânica e agressiva quanto a do Slipknot é quase um teste de fogo — e, pelos primeiros comentários de fãs nas redes, ele tem passado longe de deixar a peteca cair.
Do que fala “Arsenal”? (sem citar a letra, só o clima)
Sem reproduzir versos — SoaD, digo, Slipknot, tem escritório jurídico afiado quanto qualquer banda grande —, dá para descrever o clima: guitarras abrasivas, groove pesado e uma atmosfera de acúmulo, de munição guardada prestes a estourar, que conversa direto com o título. O clipe, dirigido por Shawn “Clown” Crahan (o próprio percussionista #6 da banda), aposta em estética de terror old school, sombras, texturas sujas e aquele clima de filme B que virou marca registrada visual do grupo desde os anos 2000.
Não é exagero dizer que o Slipknot constrói identidade tanto pela música quanto pela linguagem visual — e “Arsenal” segue à risca essa cartilha, com um clipe que parece mais curta-metragem de terror do que videoclipe tradicional.
Álbum novo, formação enxuta: o que vem por aí
“Arsenal” deve integrar o próximo álbum de estúdio do Slipknot, o primeiro com Eloy Casagrande na bateria e também o primeiro sem Sid Wilson na formação. Ainda não há data oficial de lançamento do disco completo, mas o movimento sinaliza que a banda está pronta para voltar a rodar o mundo — e, com um brasileiro no time, a expectativa por aqui é dobrada. Resta saber se esse novo capítulo virá acompanhado de datas confirmadas na América do Sul, algo que o próprio histórico recente da banda com o Brasil — incluindo passagens marcantes por festivais — deixa em aberto.
Por que isso é notícia grande para o Brasil
O metal brasileiro está tendo um 2026 daqueles: o Sepultura encerrou a própria trajetória em grande estilo, com direito a EP histórico com participação de Sérgio Britto e Tony Bellotto, e agora um dos seus ex-integrantes assume o posto de baterista em uma das bandas mais icônicas do gênero no mundo. Para quem cresceu ouvindo Sepultura e Slipknot ao mesmo tempo — e não são poucos — a cena é quase poética: o Brasil não perdeu um baterista, expandiu o território.

